A reitoria da USP mostra que dialogo não é seu forte. Mesmo após mais de 40 dias de greve estudantil, que foi marcada pela absurda violência policial com a invasão ilegal da polícia pra retirar os estudantes que ocupavam pacificamente o prédio da reitoria, o reitor Segurado e sua turma não cedeu em mais nada nas reivindicações estudantis. Fez uma simulação de “negociação” criando uma tal comissão de mediação, mas após duas reuniões não apresentou nenhuma nova proposta. O descaso é tão grande que até a comissão que o reitor nomeou desistiu da tarefa, e segundo saiu na imprensa, os seus membros decidiram encerrar a mediação após a postura intransigente da reitoria. Um verdadeiro escárnio!

O mais absurdo da situação é que utilizam um argumento de que não tem como colocar um aumento significativo do valor das bolsas do PAPFE no orçamento, sendo que de acordo com matéria publicada pela Adusp, a USP sozinha hoje tem quase 9 bilhões em caixa. O argumento fica ainda mais insustentável depois que o reitor aprovou a GACE para os docentes, e com a força da nossa greve, também uma gratificação para os funcionários. É mais que justo que os estudantes tenham suas reivindicações atendidas!

Nesse sentido, seguiremos com a deliberação aprovada ao fim da nossa greve em abril, de apoiarmos os estudantes nas suas reivindicações, participando dos atos e mobilizações que forem convocados pelo movimento estudantil. A greve dos estudantes vai vencer!

A reunião do CO convocada para esta terça desconsiderava completamente a greve estudantil que ocorre há mais de 40 dias. Na pauta, não havia menção a nenhum dos temas que o movimento estudantil reivindica, especialmente a questão do reajuste dos auxílios. De igual modo, o reitor também ignora a greve das estaduais paulistas que se contrapõe ao reajuste oferecido de 3,47%, pois pretendia simplesmente referendar esse valor pra encerrar as negociações. Entretanto, mesmo ignorando na definição das pautas, o reitor ficou com medo do ato convocado por estudantes, funcionários e docentes pra frente da reitoria, e mudou a reunião de última hora para o IPEN (no melhor estilo do ex reitor Zago). O que ele não esperava é que os estudantes não iriam se calar. Como sabemos, o CO é extremamente antidemocrático, com baixa representação estudantil e de funcionários. Ainda assim, os representantes estudantis tentaram incluir na pauta da reunião as suas reivindicações, o que foi negado pela reitoria. Diante disso, os representantes
negaram-se a assistir passivamente, e insistiram para que fossem ouvidos, no que contaram com o apoio dos representantes de funcionários. Frente ao impasse que se instaurou, uma vez mais o reitor mostrou-se incapaz de negociar, e preferiu encerrar a reunião e fugir.

Na reunião do Conselho Universitário da Unicamp, houve uma votação histórica pela retirada de pauta do referendo aos 3,47% proposto pelo Cruesp. Na USP, como vimos, o reitor fugiu e sequer realizou o CO. Na Unesp não há a necessidade do tema ser referendado pelo CO.

Diante desse quadro, e com a greve que ocorre nas 3 universidades, é urgente que o CRUESP reabra as negociações da nossa campanha salarial. O Fórum das Seis apresentou uma contraproposta exigindo 7,52% de imediato 4,39% (inflação medida pelo IPCA/IBGE de 12 meses) + 3%. Isso como primeiro passo para uma política de reposição de parte das perdas para voltarmos ao poder aquisitivo de maio/2012. Queremos negociação já!