




O desabamento de parte do forro do Edifício Vila Penteado, da FAU-Maranhão, que levou à interdição total do prédio em 22 de junho, não foi um acidente imprevisível. Foi mais um capítulo da política de abandono, terceirização e precarização que vem colocando em risco a vida de trabalhadoras, trabalhadores e estudantes em toda a USP.
Desta vez, por muito pouco a tragédia não foi ainda maior. Um trabalhador terceirizado que jantava no local quase foi atingido. A direção da FAU, representada por João Sette Whitaker Ferreira, respondeu com um comunicado protocolar, falando em segurança e reorganização de atividades, mas sem enfrentar a pergunta central: por que um edifício com problemas conhecidos chegou a esse ponto sem que medidas efetivas fossem tomadas antes?
A situação é ainda mais revoltante porque se trata de um prédio histórico, tombado, que integra justamente a Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da USP. A universidade forma arquitetos e urbanistas, mas não garante a manutenção de seus próprios edifícios. Pior, expõe ao risco os setores mais precarizados da comunidade universitária, especialmente trabalhadoras e trabalhadores terceirizados.
Isso não é um caso isolado! O que aconteceu na FAU não está separado do restante da realidade da USP. Em abril deste ano, um trabalhador terceirizado morreu soterrado em uma obra no campus de Piracicaba, em mais um episódio brutal de negligência com a vida de quem sustenta o funcionamento da universidade
Em maio, a Biblioteca da Faculdade de Educação amanheceu alagada após o desabamento de partes do teto, com destruição de parte do acervo e mobilização emergencial de funcionárias, funcionários e servidores para tentar salvar livros e documentos históricos.
Esses casos expressam a precarização da universidade e a falta de contratação de funcionários efetivos para manutenção e acompanhamento de obras e reformas.
Não se trata, portanto, de fatalidade. Trata-se de uma política. Quando tetos caem, obras matam, bibliotecas alagam e prédios históricos entram em colapso, o que está em jogo não é apenas infraestrutura; é o resultado direto de anos de desmonte dos serviços públicos internos, terceirização da manutenção e desprezo pelas condições reais de trabalho e estudo.
A USP avança na terceirização, fecha postos de trabalho e esvazia suas equipes próprias de manutenção, enquanto a realidade dos campi revela edifícios deteriorados, obras inseguras e respostas administrativas sempre tardias. Ao mesmo tempo em que a universidade abre novo concurso para Técnico de Manutenção/Obras em 2026, o próprio edital informa que são míseras 4 vagas para capital e interior, sem qualquer sinal de recomposição estrutural à altura das necessidades acumuladas. Essa lógica de enxugamento reforça a dependência de empresas terceirizadas, transfere responsabilidades, fragmenta a fiscalização e deixa a comunidade universitária exposta.
A direção da FAU e a Reitoria não podem se esconder atrás de notas burocráticas. Não basta interditar o prédio depois do desabamento. É preciso explicar por que trabalhadores terceirizados continuariam circulando ou atuando em área de risco, quais laudos já existiam, quais providências foram negligenciadas e quem será responsabilizado pelo quase crime anunciado que ocorreu na FAU-Maranhão.
Basta de colocar em risco a vida daqueles que fazem a USP funcionar!
É preciso a interdição real do edifício, sem manutenção de trabalhadoras e trabalhadores em condições de risco, salvo equipes técnicas estritamente necessárias e com laudos, equipamentos e protocolos públicos de segurança.
Além disso exigimos:
- Que nenhum trabalhador terceirizado seja prejudicado com a interdição do prédio, seja demitido ou tenha seu salário cortado.
- Reposição urgente do quadro próprio de manutenção, com contratação em escala compatível com as necessidades da USP, e não com concursos irrisórios diante do tamanho do problema.
Enquanto a Reitoria vende a imagem de excelência, inovação e prestígio internacional, a realidade concreta é de abandono material e insegurança. A universidade que deveria produzir conhecimento e servir ao povo trata a manutenção de seus espaços como custo a ser cortado e empurra sobre trabalhadoras, trabalhadores e estudantes o peso dessa política. Não aceitaremos que trabalhadores e estudantes tenham sua integridade física colocada em risco por culpa da negligê
