Basta de colocar o lucro dos empresários acima da vida dos trabalhadores e da população!
Os trabalhadores da USP repudiam veementemente o grave absurdo ocorrido hoje, com a explosão de um trem na Linha 12-Safira. As imagens chocantes de passageiros pedindo socorro, asfixiados com a fumaça, buscando desesperadamente sair do trem no momento da explosão expõem, de forma dramática, o perigo real a que a população trabalhadora e os metroferroviários estão submetidos todos os dias diante da privatização.
Não se trata de um “acidente isolado” ou “falha técnica imprevisível”: é o resultado direto e imediato da entrega do transporte público à iniciativa privada. Nunca foi tão evidente a farsa da máxima “privatiza que melhora”. Não faz nem 3 dias que a CPTM passou a operar apenas a Linha 10-Turquesa e as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram entregues à iniciativa privada, sob responsabilidade da Trivia Trens, empresa do Grupo Comporte. O resultado da entrega do patrimônio público para enriquecer empresários, feita por Tarcísio, está estampado no pânico vivido pelos passageiros na Linha 12-Safira.
Entregam bens públicos a preços irrisórios sob a falsa promessa de modernização e eficiência. O resultado inevitável é a precarização generalizada, tarifas abusivas, degradação do serviço, acidentes e retirada de direitos da classe trabalhadora. Vimos esse filme no loteamento da Sabesp e no caos gerado pela Enel, que frequentemente condena São Paulo a apagões. Hoje, tentam aplicar exatamente essa mesma estratégia destrutiva sobre a CPTM e o Metrô.
Enquanto os grandes grupos privados acumulam lucros bilionários — subsidiados e bancados com dinheiro público —, a população trabalhadora padece com superlotação, atrasos, insegurança e pânico diário no transporte. Os cofres estatais seguem financiando a operação, mas agora para engordar o patrimônio privado. E a responsabilidade é também do governo Lula-Alckmin, que via BNDES vem financiando as privatizações de Tarcísio.
O projeto de privatização total da CPTM e do Metrô só não foi concluído ainda porque esbarrou na resistência organizada da nossa classe. Em 2023, a greve unificada de metroviários, ferroviários e trabalhadores da Sabesp, somada ao apoio da sociedade, provou a força da mobilização popular para frear esse desmonte. Ciente disso, o governo Tarcísio insiste em fragmentar as categorias, aprofundar a terceirização, retirar conquistas e enfraquecer a organização sindical para viabilizar novos leilões do patrimônio público.
A saída não virá de governos ou alianças com o empresariado. Apenas a mobilização independente, sem atrelamento aos interesses do capital, tem a força necessária para derrotar a agenda privatista — seja ela promovida pela extrema direita ou por qualquer gestão que priorize o lucro em detrimento da vida da população.
Os trabalhadores e estudantes da USP, UNESP e UNICAMP vieram de mais uma importante luta esse ano contra as consequências de um projeto elitista e privatista de universidade implementado não apenas pela reitoria da USP mas também por Tarcísio.
Por tudo isso, o SINTUSP presta total solidariedade às trabalhadoras e trabalhadores atingidos por mais esse grave absurdo na Linha 12-Safira e reafirma: precisamos construir a unidade de ação entre todas as categorias atingidas pela política de Tarcísio — servidores públicos, trabalhadores da educação, saúde, transporte e saneamento — para avançar rumo a uma greve geral capaz de barrar as privatizações, exigir o fim da 6×1 e enfrentar a ofensiva dos patrões e dos governos contra a classe trabalhadora!
Chamamos as maiores centrais sindicais, como CUT e CTB, que têm a responsabilidade de impulsionar essa mobilização, a assumir esse papel!
Pela reestatização imediata de todas as linhas entregues ao setor privado, sob controle dos trabalhadores!
Diretoria Colegiada Plena do SINTUSP
