Nossa vitória não é só financeira, é, antes de tudo, uma vitória moral, ao mostrarmos como a construção, bem como a existência desta universidade dependem de nós, funcionários da USP, dos terceirizados, tendo como razão de ser, antes de tudo, os estudantes. É a vitória da concepção classista sobre o corporativismo, de origem fascista (criado por Mussolini e posteriormente copiado no Brasil na “Carta Del Lavoro” por Getúlio Vargas), ainda assim defendido, infelizmente, por alguns trabalhadores em várias categorias, quando dizem ser função de seu sindicato defender apenas, ou acima de tudo, os interesses da “nossa categoria” em detrimento da classe!

Quando defendemos a pauta dos terceirizados e, ao ouvirmos milhares de trabalhadores reunidos nas unidades, bem como nas assembleias, afirmando que, independentemente do atendimento da nossa pauta, não sairíamos da greve sem a reitoria da USP receber e negociar a pauta dos estudantes, demonstramos uma solidariedade grandiosa! Nossa greve só foi encerrada na sexta-feira (24/4), numa assembleia, após a reitoria receber os estudantes e anunciar a retirada da minuta — a qual ameaçava o espaço das entidades estudantis — além de marcar uma reunião com o DCE para 3ª feira, destinada à discussão do restante da pauta.

Para concluir, quero falar do orgulho que sinto por este sindicato, nascido de uma grande greve vitoriosa em 1979, em plena ditadura militar, e tendo como primeira direção um Comando de Greve eleito na base, como o atual nesta nossa greve. Na greve de 1979, ocupamos a ASUSP e, numa assembleia com 3 mil trabalhadores no vão da FAU (espaço insuficiente para tanta gente), aprovamos sua transformação em nosso sindicato de fato: uma máquina de guerra na luta de classes!

Com nossa luta nesta greve, 47 anos depois, confirmamos essa afirmação feita em 1979. Na assembleia que aprovou o Acordo de Final de Greve, deixamos claro o seguinte: se algum item deste acordo não for cumprido, faremos uma greve ainda maior!

A luta continua!

Magno de Carvalho.