Nesta 4ªfeira (10/6), 9h, em frente à reitoria da Unesp

Nossa Assembleia, reunida hoje, aprovou a participação no Ato/Vigília convocado pelo Fórum das Seis durante a negociação da Campanha Salarial com o CRUESP nesta 4ªfeira (10/6), a partir das 9h, em frente à reitoria da Unesp (*Pça da República, 295). Além da justa demanda de recomposição salarial aprovada pelo Fórum e já apresentada aos reitores do IPCA+3%, tendo o IPCA, que mede a inflação oficial medida pelo IBGE, fechado em 4,39%, é fundamental exigirmos um firme compromisso dos reitores em não punir o movimento estudantil das 3 universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp).

A proposta inicial dos reitores de reajuste foi do índice IPC-FIPE de 3,47%. Esse valor, como ressaltamos inúmeras vezes, não cobre a inflação dos últimos 12 meses. As reitorias da USP e da Unicamp tentaram aprovar esse índice rebaixado nos seus conselhos universitários, uma manobra já denunciada pelo Fórum das Seis de deslegitimar o espaço de negociação entre as categorias e os reitores, além de um artifício usado para encerrar as negociações. No entanto, a manobra, este ano, foi malsucedida, tendo o CONSU (Conselho Universitário da Unicamp) votado pela retirada de pauta da votação do reajuste, contra a proposta da reitoria, que queria aprovar o índice na reunião que aconteceria no dia 26/05, data em que o CO da USP também deveria votar o reajuste. Na USP, o reitor Segurado tentou inicialmente boicotar a presença dos representantes de estudantes e funcionários, mudando o local da reunião sem avisar e, depois, diante dos protestos dos estudantes e do pedido de retirada de pauta por parte da nossa bancada de representantes, encerrou às pressas a reunião do Conselho Universitário antes de pautar qualquer coisa na reunião.

O Fórum reforçou a exigência da reabertura de negociações e o atendimento da contraproposta que apresentamos (4,39%+3%). Ressaltamos que os argumentos sobre os limites da lei eleitoral apresentados pelos consultores do CRUESP não encontram respaldo no próprio histórico de negociações da campanha salarial em ano de eleição. Além disso, a data-base da nossa categoria é oficialmente em maio, e os trabalhadores não podem ser penalizados por problemas de calendário alheios à nossa vontade.

Os estudantes da USP que encerraram sua greve nesta segunda-feira, depois de quase dois meses em greve, enfrentam a intransigência da reitoria da USP, que se recusa a atender uma demanda que favoreceria os estudantes mais pobres da universidade, oriundos da classe trabalhadora, com o aumento da bolsa PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil). A bolsa integral passará de R$ 885,00 para R$ 912,00, um aumento de 27 reais para que o aluno possa pagar aluguel e contas e viver. Para termos como comparação, a cesta básica de São Paulo, a capital mais cara para se viver, é de cerca de 850,00 reais, de acordo com o Dieese. Questionamos por que aos filhos da burguesia é dado o direito a estudar livres de preocupações financeiras, além do direito à arte, cultura, lazer e alimentação digna, e aos filhos da classe trabalhadora é concedida uma permanência estudantil precária? Por isso, a defesa dos estudantes deve ser uma tarefa da nossa categoria: defender os estudantes de qualquer intenção da reitoria de punir os que lutam.

Não devemos dar ouvidos às provocações descabidas por parte da reitoria de descredibilizar o movimento estudantil, pois fazem a mesma coisa com os trabalhadores. Tentam imputar a pecha de truculentos aos que lutam porque nos querem servis e com paciência infinita diante do inadmissível. Mas quem chama a repressão policial que, na calada da noite, quebra braços, que faz corredor polonês para bater em estudante, são os mesmos que determinam as políticas internas da USP de precarização do trabalho e da moradia estudantil. Quem determina a precariedade das refeições do bandejão é quem nunca teve um dente quebrado pelas pedras encontradas na refeição. Não basta estar há 51 anos na USP, é preciso enxergar a universidade através dos olhos dos que mais sofrem com políticas de ataques à educação e aos direitos sociais. Por isso, reforçamos o chamado a todas e todos participarem do ato/vigília nesta quarta-feira, dia 10, a partir das 9h na praça da República. A unidade entre os que lutam é fundamental para arrancar nossos direitos e proteger os estudantes