No sábado, dia 12 de setembro, a Biblioteca da Faculdade de Educação alagou de novo! Quatro meses depois do teto desabar, em 11 de maio, o maior acervo de educação do país continua sendo “protegido” por uma lona. Lona! Isso em uma universidade com mais de 8 bilhões em caixa! A biblioteca está fechada para estudantes, docentes e pesquisadoras(es). As trabalhadoras e trabalhadores tiveram que esvaziar às pressas o 2º andar e empilhar o acervo no térreo e no 1º andar para evitar novas perdas. Em maio, 4 mil livros foram atingidos, junto com documentos didáticos e históricos e exposições artísticas. São mais de 250 mil itens, 60 mil deles obras raras, a maior biblioteca do livro didático do Brasil. A memória da educação brasileira apodrecendo debaixo de água e a Reitoria dá de ombros.

Não foi acidente, foi política. E tem responsável: a Reitoria.

Não venham falar de “fatalidade”. A goteira era pública, a “piscina” no 2º andar era conhecida, a obra era esperada desde 2024. A empresa contratada arrancou todas as telhas um dia antes do temporal e foi embora. E não havia funcionários da própria universidade para fiscalizar a obra porque a USP simplesmente não contrata.

Aí está o nó: a manutenção predial das unidades da USP é responsabilidade da Reitoria. Foi ela que deixou o desastre acontecer, e é ela que, quatro meses depois, deixa a situação se aprofundar sem tomar as medidas necessárias. O contrato de R$ 638 mil, assinado em 20 de janeiro, foi rescindido e a USP foi à Justiça contra a empresa, mas o telhado? NADA. Nenhuma providência efetiva, nenhuma obra, nenhum prazo.

Se biblioteca fechada, acervo histórico sob risco e trabalhadoras de capacete e rodo em ambiente que se tornou insalubre não é emergência, o que é? Se a goteira caísse na cabeça do reitor e dos pró-reitores, se eles tivessem que puxar água das próprias salas todas as manhãs, a solução sairia em questão de horas. A urgência deles é sempre seletiva e interessada.

Enquanto isso, há quatro meses, quem segura o desastre são as(os) funcionárias(os) da Biblioteca, com apoio de outros setores: secando, tratando e carregando milhares de livros, remanejando acervo e postos de trabalho, fazendo plantão a cada chuva. Capacete, rodo e pano viraram equipamento de trabalho. E antes que a reitoria ou alguém busque romantizar a questão, afirmando a “dedicação exemplar” dos funcionários, o que se vê é abandono institucional jogado nas nossas costas, com sobrecarga e adoecimento.

A biblioteca da FEUSP não é exceção: é o retrato do desmonte que a burocracia universitária instaurou.

A situação da FEUSP é a cara de um projeto elitista e de desmonte da universidade pública. Prédios sucateados, salas interditadas, elevadores parados, infiltrações crônicas por todos os campi da USP. Uma política de não contratação que esvaziou os quadros técnicos e de manutenção, sobrecarregou quem ficou e transformou cada serviço essencial em terceirização precária e sem fiscalização.

E não é falta de dinheiro nem de criatividade administrativa. A Reitoria encontra mil e um artifícios para abrir os espaços e laboratórios da universidade a empresas como Google, Samsung e outras gigantes, para transformar patrimônio público em ativo de parceria privada. Para isso há agilidade, há verba, há licitação, há gabinete aberto. Mas quando se trata de preservar um acervo inestimável, uma biblioteca pública, o prédio e a segurança de quem trabalha nele, aí é lona, é espera, é silêncio. É a mesma lógica: o que interessa ao mercado se resolve; o que é público pode esperar sob a chuva.

Exigimos:

Contratação imediata de empresa para instalar o novo telhado;

Perícia de todo o prédio, para dimensionar as áreas afetadas e as reformas necessárias;

Cronograma público de todas as ações, da contratação ao fim da obra;

Audiência pública na FEUSP, com a Reitoria e a SEF, para responderem à comunidade universitária;

Concurso público e contratações já, para recompor os quadros de manutenção e fiscalização de obras.

A COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA NÃO PODE MAIS ESPERAR!

A defesa da Biblioteca da FEUSP é uma luta de toda a categoria, e não de um setor só. O que acontece ali pode acontecer, e já acontece, em qualquer unidade. Quem hoje puxa água com rodo na Educação é quem amanhã será cobrado por metas em prédios caindo aos pedaços.

Esperamos quatro meses pela boa vontade da Reitoria. O resultado foi mais água, mais livros perdidos e mais adoecimento. Não vai ser ofício nem nota que vai resolver: só a mobilização das(os) trabalhadoras(es), junto com estudantes e docentes, tira essa obra do papel.

28 DE SETEMBRO, SEGUNDA-FEIRA, 16H, PORTÃO 1 DA CIDADE UNIVERSITÁRIA.