A Reitoria anunciou a segunda fase da avaliação de desempenho das trabalhadoras e dos trabalhadores técnico-administrativos da USP. Mais uma vez, querem nos submeter à autoavaliação, à avaliação de pares, à avaliação das chefias e ao chamado Plano de Desenvolvimento Individual (PDI).

Mas é preciso deixar claro: esta avaliação não será seguida de progressão na carreira. A USP quer que os trabalhadores preencham formulários, apontem metas, avaliem colegas e recebam avaliações das chefias, mas não apresenta nenhuma contrapartida concreta de valorização.

A avaliação parte de uma lógica injusta: exige que cada trabalhador seja perfeito em condições de trabalho que estão longe de ser perfeitas. Falta pessoal em muitos setores, aumentam as tarefas, acumulam-se funções e cresce a pressão para que menos trabalhadores deem conta de uma Universidade inteira.

O resultado é conhecido por todos nós: adoecimento físico pela falta de condições adequadas e de ergonomia, adoecimento mental pela sobrecarga e pelo assédio moral, além de uma rotina marcada por salários arrochados e desvalorização. Em vez de enfrentar essas questões, contratar trabalhadores, combater o assédio e garantir condições dignas para o trabalho, a Reitoria quer transformar os problemas estruturais da USP em metas e responsabilidades individuais.

Avaliar para lavar a própria cara

A segunda fase da avaliação não resolve a falta de pessoal, não reduz a sobrecarga, não enfrenta o assédio moral e não recupera as perdas salariais acumuladas pela categoria. Ao contrário: serve para a USP lavar a própria cara, fingindo que está preocupada com o “desenvolvimento” dos trabalhadores, enquanto mantém as mesmas condições que adoecem e desvalorizam a categoria.

O chamado Plano de Desenvolvimento Individual aparece como se cada trabalhador fosse responsável, sozinho, por superar os limites impostos pela própria Universidade. Mas qual desenvolvimento é possível sem tempo, sem condições, sem equipe suficiente, sem recursos e sob pressão permanente das chefias?

A responsabilidade pelo funcionamento precário de unidades, laboratórios, bibliotecas, hospitais, creches e setores administrativos não pode ser jogada sobre quem está na ponta. A responsabilidade é da Reitoria, que mantém postos vagos, amplia a precarização, não enfrenta o assédio moral e naturaliza o acúmulo de trabalho.

A avaliação cria terreno para exigir ainda mais: mais produtividade, mais metas, mais tarefas, mais disponibilidade e mais sobrecarga. Tudo isso enquanto a USP mantém o arrocho salarial e trata os trabalhadores como se os problemas da Universidade fossem resultado de falhas individuais.

Paz entre nós, guerra aos burocratas!

Não podemos aceitar que a avaliação seja usada para colocar trabalhadores contra trabalhadores. A categoria não deve entrar na lógica da competição, da punição e da disputa por uma suposta “melhor performance”.

Por isso, é fundamental olhar criticamente para todo o processo. Devemos denunciar as condições reais de trabalho, a falta de pessoal, a sobrecarga, o adoecimento, as pressões e as práticas de assédio que atravessam nosso cotidiano.

Ao mesmo tempo, orientamos que cada trabalhador faça a melhor e mais generosa autoavaliação possível, reconhecendo o esforço, a experiência, as tarefas acumuladas e as dificuldades enfrentadas para manter os serviços funcionando. Da mesma forma, é preciso realizar avaliações generosas dos pares, valorizando o trabalho dos colegas e recusando qualquer lógica de prejudicar quem está ao nosso lado.

Não é o trabalhador que falha quando não consegue cumprir uma meta impossível. Não é o colega que deve ser responsabilizado pelo atraso provocado pela falta de pessoal. Quem deve ser avaliada é a Reitoria: pelas condições de trabalho que impõe, pelo assédio moral que permite e incentiva, pelo arrocho salarial que mantém e pela sobrecarga que faz recair sobre a categoria.