Apesar do discurso de inclusão e pertencimento da reitoria, rapidamente se mostra que não passa de conversa fiada para tentar camuflar a dura realidade das trabalhadoras e trabalhadores terceirizados na USP. Acidentes de trabalho, atrasos de salários, descontos indevidos, segregação e punições, além das péssimas condições de trabalho, sobrecarga, assédio moral e sexual são o retrato da terceirização na USP e no país.

Nos bandejões da USP, há décadas os trabalhadores vêm sofrendo com a falta do quadro necessário para dar conta da alta demanda de refeições, o que tem provocado o adoecimento sistemático e crônico da maioria dos trabalhadores, em sua maioria mulheres. O passo seguinte foi o avanço da terceirização em todos os bandejões da USP, impondo menores salários, assédio e mais precarização do trabalho e do atendimento.

A mostra de que a terceirização não tem limites e recai com ainda mais peso sobre as mulheres trabalhadoras é o caso escandaloso de uma trabalhadora terceirizada do bandejão central, que foi demitida por justa causa sob a alegação de que a empresa precisa de “funcionários comprometidos com o trabalho”. Já seria absurdo considerar que levar seu filho ao médico seja uma falta de compromisso com o trabalho. Mas a demissão de uma trabalhadora terceirizada por justa causa com esse fundamento é um escândalo completo.

As mulheres trabalhadoras já carregam sobre suas costas um nível enorme de precarização do trabalho, incluindo não apenas salários e condições precárias, mas também a dupla jornada de trabalho, que implica nos trabalhos domésticos e no cuidado com os filhos, que recaem, em geral, sobre as mulheres. Não bastasse isso, nos bandejões, as trabalhadoras terceirizadas já sofrem com uma enorme sobrecarga de trabalho, que adoece as próprias trabalhadoras, que sofrem descontos se forem ao médico, sendo empurradas a trabalhar mesmo doentes.

Não bastasse isso, são submetidas a situações recorrentes de assédio e agora sofrem com uma punição extrema, perdendo a sua única fonte de sustento por levarem seus filhos ao médico. Não podemos aceitar que nenhum trabalhador seja submetido a esse tipo de barbaridade. Basta de assédio, demissões e semi-escravidão na USP. Exigimos a imediata reintegração dessa trabalhadora e o fim dos descontos e assédios. Nos somamos todos em defesa das trabalhadoras terceirizadas.