A campanha salarial segue aberta e só a mobilização da categoria, em unidade com estudantes e com os trabalhadores da Unicamp e Unesp em greve é possível arrancar avanços diante da intransigência das reitorias. Na reunião tensa realizada na quarta-feira, 10/6, com mais de 5 horas de duração, o Cruesp foi obrigado a recuar e apresentar mais 0,45% de reajuste, resultado direto da força demonstrada na greve de abril, da forte greve estudantil na USP e da greve dos trabalhadores da Unicamp, que já ultrapassa um mês.

Mas é preciso dizer com clareza: esse pequeno avanço foi arrancado sob forte pressão e em meio a uma postura abertamente chantagista das reitorias, que tentaram comprometer os integrantes do Fórum das Seis a responsabilidade da aprovação do índice nos conselhos universitários. Na Unicamp, o reitor já havia sido derrotado quando tentou colocar em votação os 3,47%; na USP, a reunião foi encerrada pelo reitor, que se recusou a pautar a permanência estudantil, escancarando o desprezo da reitoria pelas necessidades mais elementares dos estudantes.

Lembrarmos ao Cruesp que não são os reitores que decidem se aceitamos ou não o reajuste: quem decide é a base, são os trabalhadores organizados em assembleia.

A recusa dos reitores em tratar da permanência estudantil não é um detalhe, mas parte do projeto privatista e elitista de universidade. Ao negar negociação sobre bolsas PAPFE, a reitoria da USP ataca justamente os filhos da nossa classe e os que mais sofrem com a desigualdade social.

O que os reitores tentam apresentar como “negociação responsável” é, na verdade, uma política de arrocho, chantagem e recusa em reconhecer o peso das mobilizações. Eles só recuaram porque houve greve, atos, assembleias, ocupações estudantis e pressão concreta nas universidades estaduais paulistas.

A Campanha Salarial e a luta unificada entram agora em uma nova etapa, em que precisamos combinar a continuidade da luta pela pauta unificada com a abertura e o avanço das negociações da pauta específica da USP, sem separar uma coisa da outra. Enquanto seguem as tratativas sobre a permanência estudantil e sobre a não punição aos estudantes das três universidades, precisamos fortalecer também as reivindicações diretas da categoria, que mexem com as condições concretas de trabalho e de funcionamento da Universidade.

Por isso, o CDB reunido no dia 12/6 debateu a pauta específica e indicou como eixos prioritários os seguintes pontos, que serão submetidos à votação da assembleia:

  1. Contratação para o HU.
  2. Contratação para as creches, Escola de Aplicação e demais unidades da USP.
  3. Valor fixo mensal de VR, sem desconto nas férias e no recesso.
  4. Adicional de Incentivo à Qualificação e Reconhecido Saber, conforme proposta votada e aprovada em assembleia da categoria.
  5. Fim da escala 6×1 para as terceirizadas e redução da jornada para 36 horas para todos os trabalhadores da Universidade.

Esses eixos expressam necessidades urgentes e acumuladas. No HU e nas unidades da USP, a falta de contratação sobrecarrega e adoece os trabalhadores e precariza o atendimento à população do entorno. No caso das terceirizadas, a escala 6×1 é uma forma brutal de exploração que precisa ser enfrentada de frente, junto com a luta pela redução da jornada para 36 horas para todo o conjunto da categoria. O conjunto da Pauta Específica e a conquista de demandas que já são pautadas há vários anos depende da nossa união e mobilização. Por isso, é fundamental que as unidades pautem a campanha salarial, o reajuste de 3,92% e a pauta específica.

Devemos seguir firmes nas defesas dos estudantes para que nenhum lutador seja punido, reprovado ou jubilado por lutar.

A pauta específica de 2025 pode ser consultada aqui.

A proposta do Adicional de Incentivo à Qualificação e Reconhecido Saber pode ser consultada aqui .