Totem da portaria 3 do campus que desabou em dez/25.

Em setembro do ano passado, a prefeita do Campus de Ribeirão Preto completou 75 anos. Para mantê-la no cargo, o então reitor Carlotti a nomeou como funcionária (Superior 1A), sem concurso. Além do salário de aposentada, R$ 30.652,50, passou a receber, como analista, mais R$ 23,751,80 (Portal da Transparência USP, consulta realizada em 12/3/2026).

O novo reitor, no começo de sua gestão, baixou a Resolução 8943, de 12 de fevereiro de 2026, determinando que os Conselhos Gestores deveriam enviar listas com nomes para escolhas de prefeitos e vices, o que aconteceu em vários campi. Mas não em Ribeirão Preto. Lá, o CG resolveu mandar lista apenas com nomes de vices e manter no cargo a “prefeita servidora”.

A irregularidade foi denunciada pelo representante dos trabalhadores no Conselho Universitário. Surpreso, ou surpreendido, o reitor disse que não sabia do caso e que iria pedir que a situação fosse analisada.

Esta semana chegou ofício do Gabinete do Reitor para que o CG da USP Ribeirão realizasse reunião indicando nomes de prefeito e vice, o que foi feito no dia 18/3. Nenhuma palavra da reitoria sobre a suposta irregularidade da permanência da prefeita até esta data.

Não houve votação ou discussão sobre nomes na reunião do CG-RP, apenas a indicação de dois nomes para prefeito e três para vice. A “prefeita servidora” foi um dos nomes indicados. Um professor, membro do CG, chegou a afirmar que o reitor pode indicar quem ele quiser para prefeito, inclusive nem precisa ser da USP. Que democrático, né?

Se o nome da “prefeita servidora” for confirmado pelo reitor, teremos duas novas realidades na USP: Qualquer servidor pode ser nomeado prefeito e qualquer servidor com mais de 75 anos pode continuar na ativa.

A lei precisa valer para todos, não apenas para os amigos do REItor (ou do ex).

DEMOCRACIA EM DECADÊNCIA

Esse triste episódio demonstra como a democracia ainda é precária na USP. Em décadas passadas, em vários  da USP, antes da escolha de prefeitos eram realizados debates com os pretendentes, propostas eram expostas e entidades realizavam consultas para orientar seus representantes nas votações.

O que ocorreu agora em Ribeirão Preto é um grande retrocesso. Como pode um representante do CG (trabalhador, estudante ou mesmo docente) consultar seus pares se só se soube dos pretendentes no dia da reunião?

A prefeitura do campus de Ribeirão tem em torno de 400 funcionários; além disso, as decisões de quem a dirige afetam toda a comunidade. Esse sistema de escolha precisa mudar. Enquanto acabam de ser extintas as listas tríplices para escolha de reitor nas Universidades Federais (agora é eleição direta), a USP anda na contramão. E vale lembrar que nem a proporção de representantes no CO citada na LDB, a USP cumpre, deixando nossa categoria com apenas três representantes perante mais de uma centena de docentes.

Hora de lutar por uma estatuinte livre e soberana para que absurdos como esse de Ribeirão deixem de acontecer.