Neste 28 de outubro, Dia do Funcionário Público, o Sintusp completa 38 anos. Nossa fundação aconteceu em 1988, mas nossa história começou antes: na organização dos trabalhadores da USP contra a ditadura, enfrentando a repressão e construindo a força coletiva que transformaria a Asusp em um sindicato de luta. Celebrar este aniversário é reafirmar uma lição: os trabalhadores precisam de organização própria, sem rabo preso a reitorias, governos ou patrões, para defender seus direitos!
Da Asusp ao Sintusp: Um sindicato construído pela base que se enfrentou com a ditadura!
Antes do Sintusp, existia a Associação dos Servidores da USP, a Asusp. No final dos anos 1970, os trabalhadores enfrentaram uma direção pelega, aliada à reitoria e transformaram a entidade em instrumento de luta. Esse movimento teve papel importante na articulação da grande greve do funcionalismo estadual de 1979, ainda sob a ditadura militar. Fazer reuniões e construir greves exigia enfrentar perseguições e ameaças de prisão. Nossa organização não nasceu de uma concessão das autoridades: foi construída pela coragem dos trabalhadores!
A USP ainda disponibiliza o texto do Estatuto dos Servidores, elaborado em 1966, cuja redação proíbe “incitar greves no serviço público ou a elas aderir”. É uma marca do período ditatorial, incompatível com o reconhecimento constitucional do direito de greve. Essa proibição não pode ser apresentada como uma regra válida acima da Constituição!
A permanência desse conteúdo nos textos da Universidade evidencia a necessidade de enfrentar sua herança autoritária. Uma universidade que se apresenta como espaço de pensamento crítico não pode tratar a organização dos próprios trabalhadores como ameaça. A trajetória do Sintusp mostra por que essa luta foi fundamental: foi enfrentando a repressão e o isolamento que a categoria construiu condições para reivindicar, negociar e conquistar direitos.
A Constituição de 5 de outubro de 1988 reconheceu o direito de sindicalização dos servidores públicos civis. Poucas semanas depois, em 28 de outubro, uma assembleia com cerca de mil funcionários aprovou a transformação da Asusp em Sintusp. A decisão aconteceu em meio a uma greve de 57 dias. No Dia do Funcionário Público, nossa categoria afirmava, na prática, seu direito de se organizar e lutar!
Nossos princípios: Democracia Operária, Classismo e Independência de classe!
Os princípios inscritos no Estatuto do Sintusp expressam o sindicato que construímos: classista, democrático e independente da Reitoria, dos governos e dos patrões. Um sindicato em que as assembleias são soberanas e os representantes devem cumprir as decisões da base e não substituir a vontade da categoria.
Isso significa fortalecer as reuniões de unidade, as Assembleias, o Conselho Diretor de Base, os congressos e os comandos de greve. Significa também não limitar nossa luta aos trabalhadores efetivos e nem aos muros da universidade: defendemos a unidade com os terceirizados, combatemos o racismo, o machismo e a LGBTfobia e praticamos a solidariedade com outras categorias e com os povos oprimidos do mundo. Nosso horizonte é uma sociedade sem exploração, e nossa força começa na organização cotidiana dos locais de trabalho.
A greve de 2026 mostrou nossa força!
A histórica greve de abril, na luta por isonomia, mostrou a força da categoria e do Sintusp. Uma de suas principais conquistas, consolidada no novo Acordo Coletivo de Trabalho, foi a garantia de duas semanas de recesso de final de ano, em 2026 e 2027, sem compensação de horas. Isso significa que os trabalhadores não terão que trabalhar a mais ao longo do ano para pagar pelas horas desse recesso. Não foi um presente da Reitoria: foi uma conquista da nossa mobilização!
Mas essa vitória precisa alcançar todos os trabalhadores da USP, sem exceção! Quem mantém os serviços essenciais funcionando, como os companheiros e companheiras da saúde e da segurança, não pode ficar para trás. Precisamos fortalecer a luta para garantir a esses trabalhadores uma forma equivalente de usufruir o direito conquistado pela categoria. Isonomia não pode ficar apenas no discurso!
O ACT também incorporou as seis faltas abonadas anuais, antes regulamentadas apenas por resolução reitoral. Mas permitir seu uso nas pontes de feriado não substitui o cumprimento integral do acordo de final de greve: não podemos aceitar que um direito já existente seja consumido para cobrir aquilo que a Reitoria se comprometeu a garantir. Nossa luta é para que todos os trabalhadores da USP, sem exceção, tenham seus direitos respeitados!
Fortaleça quem organiza a nossa luta: filie-se!
O Sintusp não é uma entidade separada da categoria. É a nossa organização coletiva, sustentada pela participação e pela contribuição voluntária dos trabalhadores. A filiação fortalece a independência do sindicato e as condições de manter a comunicação, a assistência jurídica e a organização das nossas mobilizações.
Neste aniversário, o chamado é para transformar reconhecimento em compromisso: participe das assembleias, organize sua unidade, converse com os colegas e FILIE-SE!
Quase 50 anos de lutas, 38 anos de história. Nossa força vem da base. Nosso futuro depende da nossa organização. Filie-se ao Sintusp!

