
A Secretaria de Negras e Negros de Combate ao Racismo do Sintusp promove, mensalmente, um almoço inspirado nas culinárias africanas e afro-brasileiras. Essa iniciativa utiliza a alimentação como caminho de educação, memória e valorização da negritude.
Cada prato carrega histórias de povos, territórios, modos de plantar, preparar e compartilhar os alimentos. Ao conhecer a origem de uma receita, também nos aproximamos da história dos países africanos, das relações construídas pela diáspora africana e das marcas profundas deixadas no Brasil pelo processo de escravização.
A culinária brasileira é formada por muitos saberes africanos. Eles estão presentes nos ingredientes, nos temperos, nas técnicas de preparo, nas formas de servir e na maneira coletiva de celebrar a comida. Reconhecer essas contribuições é também reconhecer a força, a criatividade e a resistência dos povos negros na formação da sociedade brasileira.
Durante o almoço, fazemos uma pausa para apresentar a história do país e da preparação escolhida. Assim, a refeição se transforma em um momento de encontro, aprendizado e valorização da cultura negra. Comer também pode ser uma forma de conhecer, lembrar e fortalecer nossas raízes.
Conhecendo a Zâmbia
A Zâmbia está localizada na região centro-sul do continente africano. É um país sem saída para o mar, cercado por Angola, República Democrática do Congo, Tanzânia, Malawi, Moçambique, Zimbábue, Botsuana e Namíbia.
O país recebeu esse nome por causa do rio Zambeze, um dos mais importantes da África Austral. A Zâmbia é conhecida por sua grande diversidade cultural, formada por diferentes povos, línguas, tradições e modos de vida. Entre os grupos presentes no país estão os Bemba, Tonga, Chewa, Lozi, Nsenga e Lunda, entre muitos outros.
A agricultura tem papel importante na vida de muitas comunidades zambianas. Entre os alimentos presentes na culinária do país estão o milho, a mandioca, o amendoim, o feijão, as folhas verdes, os legumes e diferentes tipos de carne e peixe. O milho, especialmente, é utilizado no preparo do nshima, uma massa firme que acompanha diversos pratos e ocupa lugar central na alimentação cotidiana.
A comida zambiana também expressa relações de comunidade, cuidado e partilha. Preparar e dividir uma refeição é uma forma de fortalecer vínculos, preservar conhecimentos e manter vivas as histórias transmitidas entre gerações.
Luta, resistência e organização coletiva
A história da Zâmbia também é marcada pela luta e pela resistência de seu povo. Durante o período colonial, as populações zambianas enfrentaram a exploração do trabalho, a expropriação de terras e a exclusão do acesso à educação e às decisões políticas. A conquista da independência, em 1964, foi resultado da organização e da mobilização de diferentes setores da sociedade.
Um exemplo dessa resistência foi a atuação de trabalhadores das minas de cobre, setor fundamental para a economia do país. Esses trabalhadores organizaram greves e mobilizações contra baixos salários, condições precárias e a discriminação racial imposta pelo sistema colonial. Suas lutas contribuíram para fortalecer a organização sindical e o movimento pela independência.
Mesmo depois de 1964, trabalhadores, estudantes, mulheres, comunidades rurais e movimentos sociais continuaram lutando por melhores condições de vida, acesso à educação, direitos sociais e participação política. Essa trajetória nos lembra que nenhum direito é concedido sem mobilização e que a organização coletiva é fundamental para enfrentar as estruturas de exploração e construir uma sociedade mais justa.
Sabores que atravessam oceanos
A diáspora africana espalhou pessoas, conhecimentos, sementes, técnicas e sabores por diferentes partes do mundo. No Brasil, esses saberes foram recriados e preservados mesmo diante da violência da escravização e do racismo.
Por isso, este almoço não é apenas uma experiência gastronômica. É uma oportunidade de reconhecer a presença africana em nossa história, valorizar os conhecimentos dos povos negros e perceber que a comida também pode contar histórias de resistência, pertencimento e identidade.
Que este encontro à mesa fortaleça nossa memória, nossa negritude e nossos laços com o continente africano.
Secretaria de Negras e Negros de Combate ao Racismo – Sintusp
