Dezenas de reuniões de unidades lotadas aconteceram essa semana em todos os campi (São Paulo, EACH, Ribeirão Preto, São Carlos, Pirassununga, Bauru) e aprovaram PARALISAÇÃO no dia 31 de março com ato em frente à Reitoria para exigir o atendimento de todas as nossas demandas contra a medida elitista da reitoria que ignora as pautas dos funcionários.
Na reunião com a Comissão Técnica do Cruesp denunciamos que não vamos aceitar calados que a nossa campanha salarial seja rebaixada por um reitor que usa os parâmetros de sustentabilidade para rebaixar nossas demandas, mas que muda as regras quando se trata de beneficiar aqueles que julga serem superiores a plebe que todos os dias fazem a universidade funcionar.
Queremos tudo!
Tratamento isonômico entre funcionários e professores. Não podemos aceitar 4.500 para eles e nada para nós e para o restante da comunidade universitária!
Queremos também nosso fixo de 1.200 reais no SALÁRIO, o reajuste integral das nossas perdas de 2012 pra cá de 14,5%, BUSP para todas as terceirizadas, Permanência estudantil para toda a demanda e com valores dignos para os estudantes, contratações de professores e funcionários, o fim das compensações das pontes e recesso e a revogação dos parâmetros de sustentabilidade da USP. Basta de brincar com nossos direitos!
Os Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-financeira da USP precisam ser derrotados!
A GACE (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas) visa uma remuneração precária para um setor de docentes que não incide sobre salário. O montante dessa gratificação, que será paga por 24 meses, é de 108 mil reais por docente contemplado. Para compararmos, esse valor é o equivalente a 66 salários de uma trabalhadora terceirizada da USP ou 127 meses de pagamento da bolsa Papfe de permanência estudantil.

Essa discrepância de valores e prioridades não é por acaso. Afinal os “parâmetros de sustentabilidade” foram aprovados para impor anos de arrocho salarial, congelamento de contratações de docentes e funcionários, sobrecarga de trabalho e cortes nas políticas de permanência estudantil. E agora a reitoria mostra a sua faceta elitista pois para aprovar uma gratificação excludente e precária ou favorecer o alto escalão da burocracia se dispõe a mudar a “lei”. Porém, para suprir a falta crescente de professores e funcionários, recuperar salários e aumentar o valor das bolsas de permanência estudantil, garantir iguais direitos e salários dos efetivos para as trabalhadoras terceirizadas que hoje compõe cerca de um terço do corpo de funcionários da USP, colocar em funcionamento pleno o Hospital Universitário que atende todo o entorno da USP, os Parâmetros de Sustentabilidade são imutáveis.
O BUSP para as terceirizadas, que não gastaria quase NADA dos cofres da universidade, depende exclusivamente de uma portaria da universidade. No entanto, a gestão anterior prometeu, mas não cumpriu, e as terceirizadas que ganham um salário inferior ao nosso VA, não têm direito de usar o ônibus circular da USP.
Essa discrepância de valores e de tratamento não é por acaso. A USP de Segurado demonstra a serviço do que estão as políticas de inovação da universidade. Aprofundar a lógica privatista à serviço dos lucros das multinacionais que ocupam os laboratórios em detrimento das condições de vida e trabalho daqueles que fazem a USP funcionar. Os melhores cérebros da USP não conseguem funcionar sem que as salas de aula e laboratórios de pesquisa estejam limpos, os estudantes alimentados nos bandejões, as prestações de contas de trabalhos de campo estejam conferidas, os editais publicados. Ou seja, na universidade que é um corpo vivo formado por funcionários efetivos e terceirizados, estudantes e docentes, o cérebro não funciona sozinho.
E não nos enganemos! Essa forma de tratamento discriminatória é a ponta do iceberg das políticas cada vez mais privatistas da universidade, em consonância com os projetos de Tarcísio para a educação e ciência e tecnologia. Vale lembrar que a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado está nas mãos do ex-reitor Vahan Agopyan, um dos cérebros por trás dos “Parâmetros de sustentabilidade econômico-financeira da USP”. Tais parâmetros estão a serviço de derrotar a organização dos trabalhadores e do movimento estudantil para impor um novo projeto de universidade, inovada, onde o lucro das empresas valha mais que a classe trabalhadora e o povo pobre que sustentam as universidades. A paralisação do dia 31 de março deve ser o pontapé inicial para uma luta que começamos anos atrás quando sob bombas e cassetetes policiais aprovaram os parâmetros em 2017. Por isso, lotemos a assembleia no dia 30, vamos parar a USP no dia 31 de março e construir um forte calendário de lutas unificando trabalhadores e estudantes para impor todas as legítimas demandas da nossa classe!

