
A assembleia dos trabalhadores da USP realizada nesta 4ªfeira, 14 de outubro, aprovou como posição da nossa categoria diante do processo eleitoral:
Nossa categoria nunca se deixou abater diante das tarefas colocadas pela realidade e dos ataques à nossa classe. Precisamos derrotar Flávio Bolsonaro e todo o legado do bolsonarismo e fortalecer a luta contra Trump e o imperialismo, que quer transformar a América Latina em seu quintal e se apropriar de nossas riquezas!
A aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso é uma enorme VITÓRIA da classe trabalhadora! Temos muito a comemorar, mas precisamos seguir mobilizados para garantir a implementação dessa conquista e impedir que os patrões e a extrema direita encontrem formas de esvaziá-la. Flávio Bolsonaro quer aprovar uma nova PEC das horas trabalhadas que nada mais é que a jornada 7×0. Não podemos permitir esse ataque, o fim da jornada 6×1 precisa ser para toda a classe trabalhadora!
Na USP, a vitória sobre a 6×1 fortalece nossa luta por direitos, especialmente ao lado das trabalhadoras terceirizadas submetidas à essa escala. Não podemos aceitar que trabalhadoras que mantêm a universidade funcionando sejam tratadas como trabalhadoras de segunda categoria! Precisamos transformar essa conquista em impulso para a luta por igualdade de direitos e salários, pelo fim da terceirização e pela efetivação de todas as trabalhadoras terceirizadas, sem concurso. A universidade deve assumir a responsabilidade por essas trabalhadoras, em vez de manter sua exploração por empresas intermediárias!
Nossa assembleia aprovou a exigência de que as centrais sindicais, como a CUT e a CTB, organizem a luta para parar tudo contra a escala 6×1. Com a aprovação, essa disposição de mobilização precisa continuar, para garantir o cumprimento da conquista, barrar retrocessos e avançar em novas reivindicações. Não podemos permitir que a vitória se transforme em motivo para desmobilizar a classe!
A extrema-direita já mostra o projeto que precisamos derrotar. Em São Paulo, Tarcísio privatizou a Sabesp, entregando um serviço essencial à lógica do lucro e dos dividendos aos acionistas. É esse projeto de entrega do patrimônio público e de submissão dos serviços às empresas que combatemos também na candidatura de Flávio Bolsonaro. Água, educação, saúde e transporte são direitos, não mercadorias!
Enquanto Flávio e seus aliados querem reduzir a maioridade penal para jogar cada vez mais cedo a juventude negra e pobre nas prisões, as revelações do escândalo do Banco Master escancaram as relações promíscuas da extrema-direita com o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo o financiamento milionário do filme sobre Bolsonaro. Para a juventude, cadeia; para os banqueiros e seus aliados, dinheiro, favores e proteção! Essa é a hipocrisia nojenta de quem posa de defensor da moral enquanto mantém relações com os poderosos envolvidos em escândalos financeiros.
Também não podemos aceitar que novamente que o judiciário atue para interferir nas eleições. Kassio Nunes Marques, o mesmo que está envolvido até a medula com o escândalo do banco Master, e que está à frente do TSE, determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Uma decisão que visa conter a mobilização daqueles que querem derrotar a extrema-direita em plena disputa eleitoral!!! Não podemos confiar a defesa de nossos direitos às instituições que mantêm de pé o poder dos patrões!
A enorme força que tem se levantado contra essa extrema-direita, que ataca negros, indígenas, mulheres e a população LGBT, precisa seguir mobilizada. Nossa luta não termina nas urnas! Diante de um Congresso reacionário e hostil aos direitos dos trabalhadores e oprimidos, manter nossa organização e ocupar as ruas é fundamental.
Não é a conciliação com os patrões e com os setores que sustentam esses ataques que poderá derrotar a extrema-direita, mas a luta independente e organizada dos trabalhadores e dos oprimidos. É com a força das mulheres, dos negros, dos indígenas, das LGBTs e de toda a classe trabalhadora que podemos defender nossas conquistas e avançar.

