Tubulações de água e de esgoto corroídas causando vazamentos, pane recorrente nas instalações elétricas, infiltrações de água das chuvas no primeiro e no segundo andar, terceirização e precarização avançando de forma permanente, leitos fechados devido à falta de funcionários de enfermagem, laboratórios, administração, médicos e em todas as áreas do hospital, acarretando adoecimento físico e mental devido ao estresse e ao assédio moral. Trabalhadoras/es terceirizadas/os das áreas de limpeza, nutrição, vigilância, etc., trabalhando sem condições e às vezes com salários e benefícios atrasados.

Já há algum tempo esse tem sido o cenário, nesse que já foi um dos melhores hospitais do país, antes de ele se tornar alvo de uma política deliberada de desmonte, em prol dos interesses e dos negócios das fundações privadas. Na última quinta-feira, em meio a esse cenário já caótico, começou uma série de vazamentos na carcomida tubulação, que impôs a interrupção do fornecimento, deixando todo o hospital sem água. Banheiros sem descarga, trabalhadores e pacientes sem onde nem com que lavar as mãos, bebedouros secos, e o caos se tornou desespero. A impossibilidade de manter o atendimento, por questão de sobrevivência de funcionários e pacientes, prejudica ainda mais a já deficitária assistência à saúde na região.

Essa tragédia não foi apenas anunciada, ela foi criteriosamente planejada e construída pelas sucessivas gestões reitorais desde que a reitoria foi entregue nas mãos de representantes diretos da FAEPA e da Fundação Faculdade de Medicina, como os senhores Zago, Carlotti e, agora, Segurado.

Se essa tragédia foi construída por esses agentes das fundações e da política privatista de Tarcísio e seus antecessores, nós, funcionários da USP, em luta junto com estudantes e com a população, podemos obrigá-los a desconstruí-la.

Mas a luta precisa ser agora. Amanhã será tarde!

Então precisamos organizar toda a nossa revolta, indignação e sofrimento e transformar tudo isso em denúncia, em mobilização e exigência à reitoria para que pare de desviar dinheiro da universidade para suas fundações privadas na forma de “doações” de centenas de milhões de reais para hospitais da secretaria da saúde, como os HC da capital e de Ribeirão Preto, e utilize parte de suas “reservas financeiras” de mais de oito bilhões de reais para contratar todo o pessoal necessário para recompor as equipes médicas, de enfermagem, dos laboratórios, da administração, manutenção, vigilância, nutrição, limpeza, etc. Vamos exigir a reabertura de todos os leitos fechados para atendimento da categoria, dos estudantes e da população que paga os impostos de onde vem a reserva financeira de oito bilhões de reais.

Como parte dessa luta, chamamos os trabalhadores e trabalhadoras da USP, os estudantes, em especial os das áreas da saúde, para realizarmos juntos um ato na frente do HU, na próxima sexta-feira, dia 31/07, às 9h, em defesa do hospital, dos seus funcionários e seus pacientes.

Também convidamos para estarem presentes os parlamentares e todas as entidades e organizações comprometidas com a defesa da saúde pública e com a luta contra as OSS e toda forma de privatização.

TODOS AO ATO EM DEFESA DO HU! DIA 31/07 (SEXTA-FEIRA) 9H