RECHAÇAMOS A TENTATIVA ABSURDA DA REITORIA DE DESCUMPRIR PARCIALMENTE O ACORDO DE FINAL DE GREVE!
A reitoria da USP chamou a primeira reunião entre o sindicato e a COPERT, realizada no dia 25 de junho. Essa reunião foi marcada por uma manobra escancarada dada reitoria para descumprir parte do que foi arrancado com a fortíssima greve que fizemos em abril. Há dez anos reivindicamos a não compensação das horas dos dias de ponte de feriados e recesso de final de ano. Essas horas são cobradas por dias que a universidade permanece sem aulas e sem expediente regular, com exceção dos aparelhos de saúde e atividades essenciais. Professores não dão aulas, estudantes não comparecem a universidade. A cobrança dessas horas significa jornadas de 9 a 10 horas diárias. Quem não consegue pagar essas horas é descontado, ficando com um prejuízo no bolso. Quem consegue pagar fica cada dia mais exausto e adoecido. Na contramão da redução da jornada a reitoria da USP nesses anos aumentou a jornada dos trabalhadores. Foi diante desse cenário que reivindicamos a não cobrança dessas horas.
Agora a reitoria quer que nas pontes de feriados, responsáveis por mais de 1/3 das quase 100 horas que temos que compensar todos os anos, utilizemos as faltas abonadas, uma concessão histórica que conquistamos há décadas.
Vale lembrar que a nossa greve foi fortíssima, mobilizou quase todas as unidades da USP! Juntamos milhares no ato de abertura da greve que se unificou com os estudantes. A reitoria não queria nos conceder nada e se recusava a entender que a USP NÃO FUNCIONA SEM O TRABALHO DE CADA FUNCIONÁRIO, seja do operacional ou da área acadêmica, do efetivo ou do terceirizado. A USP não é só professor, gritávamos nos atos!
Diante da força da nossa greve dobramos a reitoria que assinou um acordo com nossos representantes onde se comprometia a abonar as horas das pontes de feriado assim como o recesso. Repetimos reiteradas vezes que não queríamos que se trocasse as faltas abonadas pelo direito a gozar as pontes e sim que essas horas NÃO DEVERIAM SER COBRADAS, pois o expediente é suspenso nesses dias!
Agora, a reitoria se faz de desentendida e diz que não ter justificativa para não cobrar as horas das pontes, apelando para a vigilância da população sobre a USP. Oras, aos trabalhadores sempre é pedido prudência ou se usa a lei para negar direitos. Basta! Não aceitaremos o rebaixamento das nossas demandas!
Mais respeito, reitoria! Somos trabalhadores e exigimos respeito com a nossa luta!!!
O que a reitoria apresentou na reunião do dia 25 não é solução: é armadilha. Ao dizer que não quer compensação para o recesso, mas tentar usar as faltas abonadas para as pontes, ela está tentando fazer uma troca entre direitos diferentes, arrancando da categoria uma concessão histórica para cobrir o que ela própria se comprometeu a garantir. Isso não passa de uma manobra para descumprir o acordo de final de greve sem assumir publicamente o tamanho do seu calote.
Nenhum direito a menos! As 6 faltas abonadas são um direito conquistado há décadas, e não podem ser sequestradas para resolver a leniência da reitoria com o próprio acordo. Esse direito existe para atender problemas pessoais e imprevistos da vida real dos trabalhadores, não para substituir obrigação patronal nem para servir de compensação disfarçada. Usá-lo desse modo é atacar uma conquista histórica e abrir caminho para novas perdas no futuro.
A reitoria também ignora que há setores da nossa categoria em que a compensação de horas não é possível pela situação insalubridade do trabalho. Para esse setor as faltas abonadas era um alívio para poder tratar de assuntos particulares já que não podem sair mais cedo e compensar no dia seguinte. Propor usar as faltas abonadas nas pontes é trocar seis por meia dúzia.
O que exigimos é simples e direto: cumprimento integral do acordo de final de greve, com abono de todas as horas das pontes e do recesso, sem troca, sem desconto indireto e sem retirada de direitos. Qualquer saída que mexa nas faltas abonadas ou jogue a conta nas costas da categoria deve ser rechaçada. A reitoria assinou um compromisso e agora precisa cumprir.
Nenhuma confiança na reitoria! A USP pelas pessoas mostra mais uma vez que não entende quem são as pessoas que compõe a USP!
Não esquecemos que a reitoria já demonstrou, em outras ocasiões, que foge da negociação quando lhe convém e tenta impor suas medidas de cima para baixo. Mesmo depois de assinar o acordo, a direção da universidade segue operando para limitar, esvaziar ou reinterpretar as conquistas obtidas pela mobilização. Por isso, nossa posição precisa ser clara: não há confiança possível numa reitoria que só respeita a categoria quando é obrigada pela força da luta.
Precisamos garantir que essa manobra não se imponha ou a totalidade do acordo de final de greve estará em risco.
Por isso, chamamos toda a categoria ao ato de 30/6, no dia da reunião do CO. É hora de ir para a luta com firmeza, denunciar a manobra da reitoria e mostrar que não aceitaremos que um acordo arrancado na greve seja rasgado na canetada. Se a reitoria insiste em atacar nossos direitos, a resposta precisa ser unidade, mobilização e luta!
TODAS E TODOS AO ATO DIA 30/6, 3ª FEIRA, 13H, EM FRENTE À REITORIA
Vamos panfletar aos conselheiros do CO e lembra-los da nossa força!
Quem tem medo da formiga, não deve atiçar o formigueiro!
