Nota de repudio às falsificações contidas no “MANIFESTO DOS DOCENTES DO IAG”

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Por Claudionor Brandão – Diretor do Sintusp

O referido documento nada mais é do que uma tentativa de seguir tentando incriminar os estudantes a partir de uma narrativa fraudulenta, que deveria fazer corar de vergonha qualquer um dos/as signatários/as minimamente comprometidos/as com a verdade. Uma fraude literária que serve ao propósito de tentar justificar a atitude reacionária de seguir ameaçando estudantes em greve, depois de ter usado a violência da força policial mais letal do mundo contra eles, na ocupação da reitoria.

Os estudantes exigem negociação e diálogo, e a reitoria responde com intransigência e ameaça com possível perda do semestre devido à greve. Já vimos greves estudantis e/ou de professores que se estenderam por mais de 50, 60, 80 e até 100 dias e, em nenhum dos casos, o semestre foi inviabilizado. Os senhores e senhoras docentes do IAG, que conhecem minimamente a universidade onde trabalham, sabem ou deveriam saber disso, de modo que sua assinatura no manifesto vem cumprir o papel consciente de endossar uma ameaça edificada sobre um leque de mentiras.

Acusam os estudantes de agirem com violência, enquanto, na maioria das unidades, funcionários efetivos e terceirizados adoecem física e mentalmente devido à sobrecarga e à falta de condições de trabalho, combinadas com assédio moral por parte das chefias e de professores como os que se prestam ao papel de assinar um manifesto de teor vergonhoso como este, “dos Docentes do IAG”. Violenta é uma instituição que, como a USP, se recusa a assinar um termo de ajuste de conduta contra a prática do assédio moral, deixando funcionários efetivos e terceirizados expostos à sanha violenta de chefes assediadores. Violenta é uma instituição que, como a USP, deixa as companheiras mulheres que trabalham e estudam nessa universidade expostas à prática do assédio ou da violência sexual, permitindo que os assediadores e até mesmo estupradores permaneçam impunes.

Violenta é a prática de “capitalismo sem risco” levada a cabo por essa burocracia universitária empresarial que governa a USP e que, enquanto matavam o HU por falta de investimento e de contratações, desviaram 498 bilhões das verbas da universidade para investir nos negócios dos professores associados à Fundação Faculdade de Medicina, no HC de São Paulo, bem como dos associados à FAEPA, que tem seu balcão de negócios no HC de Ribeirão Preto, onde se incluem o atual reitor, mais dois ex-reitores e uma ex-reitora. Tudo isso enquanto pessoas morriam e seguem morrendo devido ao desmonte que essa burocracia vem promovendo no HU, como parte de sua política insistente de transformar mais esse hospital em balcão de negócios de uma de suas fundações. Quem se cala diante da violência de tal magnitude não pode ter permissão para taxar de violenta uma luta estudantil que reivindica, entre outras demandas mais do que justas, como moradia, aumento nas bolsas PAPFE e contratações para reativar os leitos do hospital, para que possam aprender a salvar vidas, salvando as pessoas que estão morrendo agora sem direito a atendimento.

Violenta é essa burocracia universitária que atua muito mais em prol de projetos empresariais do que de projetos acadêmicos e que, com isso, fez da universidade um campo ilimitado de exploração de trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, por empresas sem escrúpulos, que não raro deixam até mesmo de pagar os salários miseráveis a que submetem milhares de companheiras e companheiros que, junto conosco, constroem essa universidade todos os dias.

Ao que tudo indica, os signatários do “MANIFESTO DOS DOCENTES DO IAG” não se sensibilizam com a morte de pessoas devido ao fechamento deliberado de leitos hospitalares. Tampouco parecem incomodados com a “depredação” de um patrimônio de valor inestimável, como é o acervo da biblioteca da Faculdade de Educação, devido à imperícia de uma empresa terceirizada contratada para fazer uma reforma no telhado da biblioteca e que causou uma inundação que atingiu e comprometeu grande parte do acervo. Da mesma forma, não se incomodam em emprestar seus nomes para endossar a narrativa falaciosa de que uma universidade com mais de oito bilhões de reservas financeiras, que dispõe de receitas próprias que lhe permitem bancar quase meio bilhão de reais para pagar gratificação aos docentes e desembolsa 498 bilhões em prol dos negócios de duas fundações privadas, não teria condições de pagar uma bolsa igual a um salário mínimo para que os filhos da classe trabalhadora pobre e negra que conquistam o direito ao ingresso possam permanecer até concluírem sua graduação. Essa, sim, é uma manobra violenta e racista que insiste em continuar excluindo dos bancos e bibliotecas da universidade a juventude pobre e negra que ousa abrir caminho para ingressar.