
Os trabalhadores da USP realizaram um ato histórico, como não se via há mais de dez anos na universidade. Quase todas as unidades da USP paralisaram no dia de hoje e lotaram a entrada da reitoria para demonstrar que sem o trabalho de cada um de nós, a USP não funciona.
Os laboratórios não se limpam sozinhos, as salas de aula não se abrem sem funcionários, nos bandejões não se faz comida sem ter quem cozinhe. Não existe excelência na pesquisa sem o suor de cada um dos trabalhadores efetivos e terceirizados da Universidade.
Mesmo com a forte paralisação, que já na semana passada mobilizou dezenas de reuniões em todos os campi, o reitor da USP decidiu bancar a proposta desigual que motivou a revolta. Logo pela manhã, em uma reunião marcada na noite do dia anterior, Segurado, o reitor das “pessoas” resgatou a problemática avaliação de funcionários de 2024 para dizer que iriam analisar com cuidado e tempo os Planos de Desenvolvimento Individuais para avaliar as competências críticas (?!) e junto à Codage elaborar um plano de capacitação. Isso mesmo, depois de dois anos vão ler os PDIs para ao invés de propor remuneração, propor cursos.
Para piorar, fala que sobre a valorização de qualificação do quadro técnico-administrativo não tomou conhecimento da proposta apresentada pelo Sintusp em reunião da Copert (Comissão Permanente de Relações do Trabalho) em julho do ano passado. Proposta que, diga-se de passagem, foi debatida e aprovada pela assembleia de funcionários, fórum deliberativo legítimo dos trabalhadores da USP. Mas, citou um estudo elaborado por um suposto GT de trabalhadores, o qual desconhecemos, e que a CODAGE está estudando a viabilidade da implementação da valorização de qualificações. Oras, então a reitoria vai desconsiderar o sindicato como representante legítimo da categoria e toda a memória construída nas poucas reuniões da Copert com o Sintusp sobre as demandas dos trabalhadores da USP serão ignoradas?
Segurado tentou conter a mobilização com promessas evasivas que não tocavam no ponto principal: a ISONOMIA.
Na reunião do CO nossos representantes denunciaram a manobra da reitoria de ignorar o ponto fundamental que deflagrou a revolta: o tratamento DESIGUAL que ignora a realidade de milhares de trabalhadores da universidade, ignora que as trabalhadoras terceirizadas não têm direito ao BUSP enquanto o restante da comunidade universitária tem, que ignora o direito à moradia digna dos moradores do CRUSP que estavam sem água, o direito ao estudo para estudantes de baixa renda que recebem bolsas de míseros 320,00 ou no de máximo 885,00 reais. Não existe universidade igualitária quando apenas uma minoria é ouvida e tem suas demandas contempladas em detrimento da imensa maioria.
A aprovação da GACE diante de protestos de milhares de trabalhadores é um ESCÁRNIO! Perguntamos aos docentes ávidos pela aprovação da gratificação como farão com a greve de funcionários. Serão tão ávidos em apoiar cruzando junto conosco os braços por uma USP mais igualitária de verdade? Porque num conselho universitário formado por maioria absoluta de docentes titulares aprovar uma gratificação corporativista e excludente nada mais é do que militar em causa própria.
O reitor resolveu gritar TRUCO sobre a nossa mobilização. Nós, que temos o ZAP das lutas nas nossas mãos, temos que gritar mais alto: SEIS! Tem que ter greve, seções fechadas, computadores parados e braços cruzados. A única linguagem que os opressores entendem é a da luta dos oprimidos pelos seus direitos!
