Hoje a USP, o trabalho nas cozinhas abafadas do bandejão, as rodas de samba e as nossas lutas ficam mais tristes. Perdemos nosso querido Marco Antônio, o Marcão do Banjo como gostava de ser chamado. Trabalhador do restaurante central há anos Marcão marcou as pessoas a sua volta com suas piadas e o jeito engraçado e humilde no dia a dia mas também com a firmeza de um guerreiro nos momentos de luta que dividimos. Vai nos deixar saudades das rodas de samba no meio da greve, um dos poucos momentos em que a classe trabalhadora, e especialmente aquela da cor da noite, consegue tirar alguns minutos na correria do trabalho, pra cantar e sorrir. Desafiando o próprio cansaço não era raro dividir uma letra de um samba bom mesmo na sala de louça do bandejão e falar de sua escola preferida, Barroca Zona Sul. Dizia que em um mundo tão triste, com tanta tragédia a que somos submetidos ele se orgulhava de fazer samba porque era uma forma de levar alegria para as pessoas, inclusive para que se sentissem mais fortes pra lutar. E com seu inseparável amigo banjo arrancava momentos de felicidade para um povo tão sofrido. Vamos guardar para sempre você em nossos corações e nossas lutas, cantando e sorrindo as próximas batalhas que podemos e vamos vencer por você, sua família e todos os nossos. Nosso mais profundo pesar aos familiares e amigos. Marcão, presente! Hoje e sempre!!

“Pra cada sofrimento
Eu tenho uma consolação
Não posso ouvir um lamento
Sem procurar solução
Mas perto de mim ninguém chora
Porque eu mando embora essa desilusão
Eu faço um samba na hora
Por que o samba mora no meu coração”