Em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague. Diversas manifestações de trabalhadoras na Europa se seguiram desde a proposta da criação da data. A manifestação mais famosa aconteceu em 8 de março de 1917, quando operárias russas do setor de tecelagem entraram em greve e tiveram o apoio de outros trabalhadores.

O Dia Internacional da Mulher é uma data política, criada por movimentos de mulheres em todo o mundo no início do século XX, reivindicando direito ao voto, melhores condições de trabalho e emancipação cidadã, bem como combatendo o abuso sexual dentro das fábricas. Por isso, esta data simboliza a resistência das mulheres contra a misoginia e sua luta pela garantia de direitos.

Foi a partir da luta pelo reconhecimento básico do seu direito à cidadania que mulheres puderam, ainda que muito recentemente, ingressar em universidades, participar da política, dos esportes, e começar a combater as narrativas hegemônicas patriarcais acerca da História, da Cultura e da Ciência como um todo.

As guerras imperialistas têm como alvos preferenciais meninas e mulheres, seja com crimes como o bombardeio da escola em Minab (Irã) por EUA e Israel, que matou mais de 160 meninas de 7 a 12 anos, seja com estupros coletivos como arma de terror no genocídio do Congo, onde milícias estupram diariamente milhares em Goma e Sake. Por isso, gritamos:  Não à guerra levada por Trump e Netanyahu! Fora Trump misógino e racista da América Latina e do mundo! Abaixo os imperialismos! Estamos com as mulheres indígenas, imigrantes, latino-americanas, africanas, iranianas e palestinas na luta contra o patriarcado e o capitalismo genocida!

Infelizmente, temos visto uma escalada da violência contra as mulheres, com a ascensão de discursos misóginos nas redes sociais, que tem influenciado cada vez mais homens e meninos. Por isso também precisamos lutar por uma regulamentação das chamadas Big Techs, para coibir e punir discursos de ódio e incentivo à violência. E pela criminalização da misoginia.

Nos últimos quatro anos, o estado de São Paulo se consolidou como um verdadeiro laboratório da violência patriarcal: o número de mulheres assassinadas por feminicídio quase dobrou, saltando de 136 vítimas em 2021 para 270 em 2025, um crescimento de 96%, concentrando sozinho 41% das mortes por feminicídio de toda a região Sudeste. Em 2023 foram 221 casos, em 2024 o recorde de 250 mulheres assassinadas por serem mulheres e, mesmo assim, o ano de 2026 já começa com novo recorde: apenas em janeiro foram 27 feminicídios, quase uma mulher morta por dia, o maior número desde o início da série histórica em 2018, acompanhado do aumento das ameaças e lesões corporais registradas nas delegacias. Essa escalada não atinge apenas as mulheres cis: o Brasil registrou em 2024 ao menos 122 pessoas trans assassinadas, 117 delas travestis e mulheres trans, sendo São Paulo o estado que mais mata essa população, expressão brutal do transfeminicídio e da combinação de misoginia, transfobia e racismo. Enquanto isso, os governos seguem propagandeando supostas “políticas de proteção” com delegacias especializadas e programas pontuais, mas sem garantir orçamento robusto e contínuo, moradia, renda, equipamentos públicos de acolhimento e trabalho digno, empurrando as mulheres, sobretudo negras, periféricas, imigrantes e trans, de volta para a violência doméstica, para o subemprego e para a morte. Por isso, no 8 de março, denunciamos que cada vida arrancada é responsabilidade de um Estado que escolhe perdoar dívidas de empresários e bancos enquanto raciona recursos para políticas públicas de combate à violência de gênero.

Lutamos para que meninas e mulheres possam se desenvolver e escolher seus caminhos sem limitações e imposições sociais sexistas e desumanizantes. Que possamos expressar nossa voz enquanto cidadãs e sujeitos políticos, sem sofrer retaliação por isso. Que tenhamos nossos direitos básicos garantidos, sem sermos sistematicamente vitimizadas pelas inúmeras violências misóginas, tais como objetificação e exploração sexual, assédio, estupro, violência obstétrica, exploração reprodutiva, feminicídio, mutilação genital, discurso de ódio, dentre outras violências materiais e simbólicas.

A terceirização na USP revela um machismo institucional profundo e racista, que precariza especialmente as trabalhadoras terceirizadas, que são majoritariamente mulheres negras, com baixos salários, falta de direitos e exposição diária a assédios morais e sexuais, enquanto a reitoria ignora a existência dessas trabalhadoras institucionalmente. A opressão às terceirizadas se agrava com a negação do BUSP (Bilhete USP), o transporte gratuito que deveria ser direito de todas as trabalhadoras da Universidade, mas que a administração usa como ferramenta discriminatória para segregar e humilhar as terceirizadas. No Brasil, a desigualdade salarial escancara essa herança escravocrata e patriarcal do capitalismo: mulheres ganham em média 30% menos que homens brancos, e mulheres negras recebem muito menos da metade do salário médio dos homens não negros. Em 2023, nosso sindicato, junto a juristas, intelectuais e à Conlutas, lançou o Manifesto contra a Terceirização e a Precarização do Trabalho (bit.ly/AssineContraPrecarizacao), que já reúne milhares de assinaturas. Assine e lute por efetivação imediata sem concurso, fim da escala 6×1 com redução da jornada sem redução de trabalho e igual direitos para todas.

• Não à guerra imperialista de Trump e Netanyahu! Fora Trump misógino da América Latina e do mundo! Fora Israel das terras palestinas! 

• Pelo fim da violência contra a mulher e dos feminicídios: basta de 96% de aumento nos assassinatos em SP nos últimos 4 anos, com 27 só em janeiro de 2026, e transfeminicídios que mataram 122 trans em 2024!

• Pelo direito ao próprio corpo e autonomia reprodutiva e pelo aborto legal, seguro e gratuito

• O combate a todo tipo de exploração sexual e reprodutiva

• Fim à terceirização esse mecanismo racista e machista de precarização! Belo direito ao Busp para todas as terceirizadas!

• A luta contra a violência sexual, o assédio e a cultura do estupro;

• Políticas públicas de estudo, trabalho e autonomia financeira para mulheres em situação de vulnerabilidade;

• A luta contra a violência obstétrica, jurídica e institucional contra mães e seus filhos

• Em defesa do SUS e por políticas públicas de saúde da mulher

• Pelo direito à dignidade menstrual

• O combate ao racismo e o fortalecimento das organizações de mulheres negras, imigrantes e indígenas

• A luta contra a lesbofobia e a transfobia, pelo fortalecimento das organizações de mulheres lésbicas e trans

• O reconhecimento do trabalho reprodutivo, doméstico e de cuidado enquanto trabalho efetivo e basilar da economia

• A proteção da infância e a denúncia à cultura da pedofilia

• O resgate e a valorização da História e da Cultura, passada e presente, das mulheres

• O fortalecimento de iniciativas de criação artística, intelectual e política de mulheres, com perspectiva feminista

Hoje, mais do que nunca, a luta das mulheres está intrinsecamente ligada à luta pela vida no planeta e pelo fim do capitalismo predatório. Vide a ocupação da Cargill pelos povos indígenas contra a privatização de rios amazônicos; luta esta protagonizada principalmente por lideranças mulheres!

A luta das feministas que nos antecederam permite que hoje possamos vislumbrar a libertação das mulheres como a chave para um mundo com paz, justiça social e reintegração da cultura humana com os ecossistemas vivos.