
“Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam, por meio dele, defender.”
Esta terça-feira (14/4) é nosso primeiro dia de greve, mas já há chefias querendo ameaçar os trabalhadores com fake news e medidas ilegais. Isso significa que estão com medo da nossa força, porque viram nossa mobilização no dia 31 de março. Por isso, nossa primeira tarefa é fortalecer a greve!
- O período de experiência ou estágio probatório para CLT é de 90 dias. Portanto, é mentira que quem já passou dos 90 dias será demitido;
- O trabalho remoto não foi regulamentado na USP. Portanto, é ilegal cobrar que trabalhadores façam trabalho remoto para furar a greve;
- Estagiário não é funcionário. O estágio é um “ato educativo escolar supervisionado”, ou seja, a função do estagiário não é de substituir funcionário, o estágio é uma atividade de aprendizagem que deve ser feita com supervisão;
- A USP não pode contratar nem colocar estagiário para substituir nosso trabalho. Isso é violação do nosso direito de greve e, portanto, ilegal.
Não aceitaremos assédio contra os trabalhadores grevistas, nem ameaças de qualquer tipo. Não aceitaremos que estagiários que recebem um salário mínimo sejam mão de obra precarizada para substituir o trabalho dos funcionários! Estamos juntos na defesa dos estagiários.
Nossa greve é legítima e justa. É preciso lembrar que estamos lutando por isonomia, e não uma categoria contra a outra. É falso dizer que nós, funcionários, somos contra os docentes. Mas há um setor de “jovens docentes” que busca justificar, com a carteirada de “eu estudei mais”, a gratificação exclusiva a docentes ou que os funcionários tiveram aumento superior aos docentes nos últimos anos. Isso não é verdade!
Nós, trabalhadores da universidade, desenvolvemos, ao longo dos anos, diversas especialidades, pois o trabalho em uma universidade é diferente do trabalho em uma empresa. Aqui são feitas pesquisas que precisam de técnicos de laboratório especializados, que não ganham um centavo a mais por isso. Muitos técnicos orientam trabalhos, apresentam conteúdos em aulas expositivas, preparam substâncias para experimentos. Os processos de licitação dependem não apenas do conhecimento da lei e sua aplicabilidade, mas também é preciso adequar-se à realidade de uma universidade como a USP.
Numa universidade com alunos de várias partes do país e do mundo, o funcionário da USP adquiriu uma enorme capacidade de acolhimento e inclusão real, e não a que a PRIP finge que existe com seus cartazes coloridos. Cada prédio, cada cabo que passa nas unidades é trabalho de quem se preocupa com o funcionamento da universidade. E cada trabalhador interage com seu ambiente e com as pessoas ao redor.
Há quem ache que nosso trabalho é somente uma atividade-meio, pois o fim da universidade é o ensino e a pesquisa. Essa visão antiquada transborda de elitismo. Educação e pesquisa dependem de trocas e interação viva, assim como o cérebro depende de um coração pulsante. Os melhores cérebros não são formados apenas pela melhor aula, mas pela interação em todos os espaços, para uma visão mais global da sociedade à qual se pretende apresentar a pesquisa. Não existe pesquisa pela pesquisa se ela não tem aplicabilidade e se não parte de um amplo diálogo com o mundo ao redor. Portanto, todas as atividades da USP, da limpeza das salas de aula, da alimentação balanceada, do trabalho financeiro, administrativo e acadêmico, são partes da construção de uma universidade de excelência! Querer reduzir a importância dos funcionários é uma visão mesquinha e elitista de quem pensa que, se a “farinha é pouca, meu pirão primeiro”.
Por isso, denunciamos o projeto privatista de universidade, que passa por defender que os funcionários efetivos podem ser substituídos por empresas terceirizadas, sem maiores impactos na universidade. Esse projeto privatista instituiu os parâmetros de sustentabilidade econômico-financeira da USP em 2017 e tem sido o motor que acelerou o desmonte do HU e dos aparelhos de saúde, congelou contratações de docentes e funcionários, levando a uma enorme sobrecarga de trabalho, e arrochou nossos salários. A bilionária reserva financeira da USP foi formada às custas do nosso salário e da sobrecarga de trabalho, que tem adoecido os funcionários. E, se foi nosso suor que formou essa reserva, os seus rendimentos e o seu montante também precisam ser divididos conosco.
