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27/01/2012
Divulgação sobre o II Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP

No dia 15 de dezembro de 2011 ocorreu, na Faculdade de Educação, o II Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP, com a participação de trabalhadoras e estudantes. Em meio a um processo enorme de perseguição política, o Encontro foi aberto com intervenção de Diana Assunção, diretora do Sintusp, sobre a situação nacional e internacional e a partir deste debate reafirmou-se a luta contra a repressão e contra a polícia, exigindo a retirada de todos os processos contra estudantes e trabalhadores, a anulação dos inquéritos policiais contra os 73 presos políticos da USP e a reintegração imediata de Claudionor Brandão, dirigente sindical. A luta contra a repressão é a luta por uma universidade pública, gratuita e de qualidade, para toda a população, e neste sentido as mulheres trabalhadoras devem estar na linha de frente desta luta. Reafirmamos também a luta contra a opressão às mulheres, debatendo os problemas da mulher trabalhadora para se organizar sindicalmente e politicamente, assim como os desafios que estão colocados no próximo ano diante do acirramento da crise internacional em nosso país.

O Encontro contou com a participação de Rosi Santos, uma das 73 estudantes que foram presas na reintegração de posse da Reitoria ocupada, que deu um depoimento sobre a tortura que sofreu por parte da polícia. A este depoimento se somaram uma série de denúncias dentro e fora da universidade. A partir deste Encontro um dos objetivos centrais é manter uma forte campanha de denúncias contra a repressão e a perseguição política, avançar durante o ano de 2012 nas discussões mais específicas sobre a questão da mulher e suas condições de trabalho, com ênfase nas condições das trabalhadoras da saúde e terceirizadas, e dessa forma chegar a novas trabalhadoras, efetivas e terceirizadas, ao lado das estudantes, para organizar um amplo setor de mulheres que busque encarar a luta contra a opressão desde uma perspectiva da luta contra a exploração capitalista.


08/12/2011
II ENCONTRO DE MULHERES TRABALHADORAS DA USP

Opressão, repressão, perseguição

Quinta-feira, dia 15 de dezembro

na Faculdade de Educação – Sala 102 Bloco B

 

10h – MESA de abertura “Opressão, repressão, perseguição”

Diana Assunção, diretora do Sintusp e do grupo de mulheres Pão e Rosas

Rosi Santos, estudante e militante do Práxis – Socialismo ou Barbárie

Ex-trabalhadoras terceirizadas da UNIÃO

13h – Intervalo para Almoço

14h – Roda de discussão sobre a situação da universidade e resoluções

O II Encontro de mulheres trabalhadoras da USP ocorre num ano marcado pelas lutas contra a opressão, a repressão e a perseguição. Esses três pilares em que a Reitoria e o governo do estado se baseiam para aprofundar a nossa exploração e para conseguirem implementar o seu projeto privatista de universidade tem se intensificado.

Logo nos primeiros dias do ano, tivemos 270 companheiras/os demitidas/os. Dentre eles, vimos companheiras que perderam uma parte essencial de sua renda que sustentava não só a elas e seus filhos, como netos e outros membros da família. Tal medida já anunciava o grande corte que a Reitoria promete fazer no quadro de funcionários, que prepara com a aprovação do PROADE. E com esse projeto pretende demitir também com base em critérios políticos, no caso do funcionário ter participado ou não de greves e manifestações, numa clara perseguição aos lutadores e lutadoras.

Justamente em decorrência de uma paralisação que realizamos contra as 270 demissões, mais diretores do Sindicato e ativistas dentre eles 4 mulheres estão sendo processadas com risco de demissão por justa causa, se somando aos outros tantos processos que a diretoria do sindicato está respondendo e à demissão inconstitucional de Brandão que ao exercer o seu papel de

representante sindical em atividades e inclusive defendendo o direito das trabalhadoras terceirizadas foi demitido por justa causa.

Também no primeiro semestre, nossas companheiras terceirizadas realizaram uma importante greve que desvendou a intenção da Reitoria em cada vez mais aumentar o trabalho semiescravo na universidade, apoiado na opressão que todas nós sofremos que nos relega aos salários mais rebaixados e às piores condições de trabalho em todo o país. Mais uma greve que fez mais de

400 mulheres levantarem as cabeças e não mais aceitarem a opressão e extrema exploração a que ficam submetidas.

Nesse momento, passamos por uma greve das/os nossas/os companheiras/os estudantes que estão lutando contra a presença da polícia no campus e nas favelas e periferias, colocando um questionamento profundo ao papel social dessa instituição em todo o nosso país, e denunciando seu profundo caráter machista, racista e homofóbico, e assassino. Nesse processo, vemos a  repressão utilizada pela reitoria atingir um alto grau de ofensividade, ao prender 73 companheiras/os, dentre elas/es 4 funcionários, sendo dois CDBs e uma das diretoras do Sintusp, por se manifestar politicamente.

Nessa prisão, a opressão, a repressão e a perseguição se somaram para intensificar ainda mais o ataque da reitoria. Os policiais a mando de Rodas e de Alckmin perseguiram os envolvidos no movimento, reprimiram os que ocupavam, e oprimiram as companheiras que estavam sendo presas. Deixaram-nas numa sala sozinhas com policiais homens que as humilharam e as ameaçaram, e uma das companheiras foi torturada em uma sala isolada por mais de 30 minutos.

Esse ano o Reitor mostrou que realmente quer destruir quem luta, quem estuda e quem trabalha, prepara para todos os funcionários (as), estudantes e professores, a intensificação desta verdadeira ditadura. E vemos que claramente nós, mulheres, trabalhadoras, seremos ainda mais atacadas. Nossas companheiras terceirizadas e estudantes já começam a se levantar fortemente contra tudo isso, nos dando força para todas juntas, com nossos companheiros, impedirmos o avanço desses ataques.

Por isso, convidamos as trabalhadoras a participar desse II Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP, para que possamos nos organizar para discutir essa opressão e a escalada de perseguições que está posta, e para combatermos com todas as nossas forças a política do Reitor e o governo que querem impor cada vez mais o medo, o silêncio, a submissão. Este é um

encontro aberto a todas as mulheres da universidade, bem como as trabalhadoras terceirizadas e as estudantes!

Abaixo à repressão, abaixo à opressão!

Fora Rodas!

Anulação dos inquéritos contra os 73 presos políticos!

Retirada de todos os processos contra estudantes e trabalhadores!

Readmissão de Brandão!


15/03/2011

São Paulo, 14 de março de 2010

 

A Diretoria do Sindicato de Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) vem transmitir os sentimentos de solidariedade e render homenagem à Leopoldo Denaday, destacado militante do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS, organização irmã da LER-QI na Argentina) e advogado que lutou ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras de Zanon, e que faleceu hoje em um trágico acidente de carro, onde faleceu também Mirta de Fernández e ficou ferida Ivana Dal Bianco, também militante do PTS. Transmitimos ao PTS, à companheira Ivana, aos familiares das vítimas e aos trabalhadores e trabalhadoras de Zanon a nossa tristeza diante da morte deste jovem revolucionário que fez parte do que para nós do Sintusp é e sempre será um grande exemplo de luta como foram as batalhas de Zanon. Ao companheiro Leopoldo, desde o Brasil, desde a USP, gritamos: Presente, sempre!

 

Diretoria do Sindicato de Trabalhadores da USP


11/03/2011
POR UM 8 DE MARÇO ANTI-GOVERNISTA E ANTI-IMPERIALISTA

“Não somos uma no poder, somos milhares nas ruas para arrancar nossos direitos”

Hoje muitas feministas e mulheres comemoram a entrada da primeira mulher presidente do Brasil. Mas justamente viemos nos manifestar neste 8 de março para dizer que não somos uma no poder, mas sim milhares nas ruas para arrancar nossos direitos. Por que enquanto algumas poucas mulheres ascendem a cargos de poder, milhares de mulheres morrem por conta de abortos clandestinos, milhares de mulheres seguem em trabalhos precários ganhando salários de miséria e milhares de mulheres são vítimas da violência cotidiana nas ruas, em suas casas, nos locais de trabalho.

É por isso que viemos construir um 8 de março anti-governista, e, saudando as mulheres árabes que se enfrentam nas ruas contra a repressão do governo ditatorial, também nos colocamos contra qualquer intervenção imperialista na luta do povo árabe. Acreditamos que somente a organização das mulheres nos seus locais de trabalho, estudo e moradia, desde a base, pode enfrentar e arrancar todos os direitos que hoje nos usurparam. Contra qualquer forma domesticada de organização das mulheres, contra qualquer forma de atrelar nossos direitos aos interesses de um ou outro governo, desde a Secretaria de Mulheres do Sindicato de Trabalhadores da USP chamamos a nos organizar de forma intransigente e rebelde contra a opressão e exploração que este sistema capitalista nos relega, e é este o grito que daremos no 8 de março:

PELOS DIREITOS DA MULHER TRABALHADORA! DIREITO AO

ABORTO LEGAL, SEGURO E GRATUITO!

VIEMOS LUTAR POR:

Abaixo à intervenção imperialista na África e no Oriente Médio! Fora Kadafi!

Viva a luta das mulheres e do povo árabe! Fora as tropas brasileiras do

Haiti! Basta de violência contra as mulheres haitianas, afegãs e africanas!

Pelos direitos da mulher trabalhadora! Salário mínimo do DIEESE!

Efetivação de todas as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados sem

necessidade de concurso público ou processo seletivo! Licença maternidade

de 1 ano, creches em horário integral para atender a demanda de crianças!

Basta de assédio moral!

Direito ao aborto legal, livre, seguro e gratuito! Basta de mulheres mortas

por abortos clandestinos! Basta de usar nossos direitos como moeda de

troca nos processos eleitorais!

Na USP as mulheres continuam de pé!

Estivemos nas greves dos últimos anos lutando contra a política privatista do PSDB no estado de São Paulo, nos enfrentando com a polícia, organizando piquetes e ocupações, lutando pelos direitos das mulheres, nos organizando desde a base da nossa categoria e buscando nos articular com outras categorias. Fizemos isso ao lado dos trabalhadores, das combativas estudantes que também lutam pelos seus direitos, de professores e professoras que se colocam

contra a privatização da universidade. Neste ano fomos atacados com a demissão de 270 trabalhadoras e trabalhadores da USP, pelo qual viemos lutar, pois continuamos de pé pra defender nossos empregos, defender a universidade pública a serviço dos trabalhadores e do povo pobre! Por tudo isso o Sintusp e seus lutadores e lutadoras são vítimas de perseguição política digna dos tempos da ditadura. Hoje gritamos:

Readmissão imediata de todas e todos demitidos!

Readmissão imediata de Claudionor Brandão!

Abaixo à fraude administrativa contra Rosana Bullara!

Retirada de todos os processos contra diretores do Sintusp, como Neli,

Magno, Solange, Aníbal e Givanildo, além de estudantes e ativistas

sindicais!

Não à privatização da USP, os 3 setores devem tomar a universidade em

suas mãos!

COMPANHEIRA SELMA, PRESENTE! COMPANHEIRA SELMA, PRESENTE!


20/12/2010
MAIS UM ANO DE LUTA SE PASSA!
Foram muitas batalhas que as mulheres tiveram de travar juntamente com outros trabalhadores em resposta aos ataques dos governos. As mulheres como sempre são as mais oprimidas e atacadas em se tratando da luta de classes. Exemplo ocorreu no acampamento indígena revolucionário, quando a polícia do governo Lula atacou os indígenas , arrastando as mulheres para fora das barracas, muitas seminuas, espirrando gás pimenta nos olhos das meninas, espancando uma mulher grávida que inclusive sofreu aborto, machucando bebês e suas mães. Essas mulheres indígenas lutaram bravamente ao lado dos homens que estavam defendendo a manutenção de seu povo contra a extinção da FUNAI. Bravas guerreiras travaram luta no congresso nacional contra a política de destruição de seus povos.

As mulheres uspianas lutaram bravamente junto com os outros trabalhadores contra a quebra da isonomia salarial feita por Rodas. Mulheres cruspianas ocuparam o bloco G do CRUSP ao lado de outros estudantes exigindo moradia estudantil, e estão até hoje lutando bravamente, contra os processos que o reitor Rodas está fazendo na tentativa de expulsá-las(os). Mulheres na USP e no Fórum Popular de Saúde estão lutando bravamente contra a privatização da saúde e por saúde de qualidade na USP.

Mulheres como Patrícia, lutadora, está sendo punida por Rodas sendo suspensa por trinta dias, fruto de um processo forjado por sua chefia imediata e a CJ. Mulheres como a coordenadora do núcleo de consciência negra que luta pela manutenção da entidade, que Rodas quer destruir.

Mulheres como Neli, Solange e Rosana que por lutarem estão sofrendo sindicâncias. Em meio a essas batalhas e ataques foi lançada a Secretaria de Mulheres do Sintusp. E realizado o 1º Encontro das Mulheres Trabalhadoras da USP cujas resoluções publicamos no verso deste boletim.

Houve uma onda reacionária de violência contra negros(as), nordestinos(as), homossexuais. E contra mulheres gordas, quando estudantes da UNESP lançaram o absurdo “Rodeio das Gordas” oprimindo as estudantes tentando montá-las. Houve muita violência às mulheres com espancamentos e mortes. Mulheres mortas por abortos clandestinos. E a Secretaria de Mulheres esteve nos atos contra tudo isso e em defesa da legalização do aborto para que mulheres não morram.

A LUTA CONTINUA!

COMPANHEIRA SELMA PRESENTE!

Muita força e muita garra para lutar nesse ano que vai entrar.

”Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem” Rosa Luxemburgo

RESOLUÇÕES DO 1º ENCONTRO DE MULHERES TRABALHADORAS DA USP

Seguem as resoluções do 1º Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP, ocorrido em 24 de setembro de 2010, no Clube dos Funcionários da USP

- Algumas resoluções já aprovadas em assembléias, Congressos das funcionárias (os) da USP foram reafirmadas, como a efetivação de todas e todos trabalhadores terceirizados, temporários e fundacionais, sem necessidade de concurso público, com os mesmos salários e direitos.

- Que as trabalhadoras terceirizadas se organizem no Sindicato junto à Secretaria de Mulheres. Creche, bandejão e CEPEUSP para todos!

- Mais creches na USP! Construção da Creche Sudoeste (ICB, Fofito, HU, Odontologia) e construção de creches em todos os campi que ainda não têm! Ampliação de vagas e contratação de funcionários não precários! Implementação do projeto que altera a nomenclatura dos Técnicos de Apoio Educativos reconhecendo-os como professores e professoras de Ensino Infantil, conforme acordo no final da greve de 2009.

- Mais vagas na Escola de Aplicação, e distribuição de merenda escolar para todas as crianças!

- Abaixo o assédio moral aos trabalhadores, em especial às mulheres e abaixo qualquer tipo de perseguição às trabalhadoras grávidas e mulheres que amamentam, como ocorreu com Alessandra ex funcionária do HU e não suportando o assedio moral pediu demissão. Construir uma grande campanha contra o assédio moral na Universidade de São Paulo!

- Direito às mães acompanharem seus filhos menores que estiverem de licença médica, sem perda da remuneração! Licença-maternidade de 1 ano!

- Aplicação da lei que prevê a lavagem dos uniformes das trabalhadoras (es) das áreas insalubres como Hospitais, laboratórios químicos etc. Criação de lavanderias para auxílio no combate a dupla jornada das mulheres!

- Prioridade nos exames periódicos para as mulheres que estão na pré e pós menopausa. Facilidade de agendamento para ginecologista, sem necessidade de aguardar apenas uma vez ao mês para isso, contratação de mais ginecologistas para vagas constantes. Retorno dos exames periódicos e prioridade aos setores insalubres onde a maioria são mulheres, e todos e todas correm risco maior de saúde.

- Basta de super-exploração nos Restaurantes da COSEAS! A maioria são mulheres, e por fazerem esforços físicos e repetitivos e também pelas péssimas condições de trabalho estão adoecidas com LER/DORT. Readaptação imediata as adoecidas, e melhoria das condições de trabalho bem como contratação imediata de mais funcionários(as) para distribuição de tarefas de forma que não afete a saúde de quem ainda não adoeceu. Contratação de funcionários não precários para acabar com as enormes filas! Ampliação dos restaurantes e refeição 100% gratuita (almoço e janta!).

- Que a Secretaria de Mulheres junto ao sindicato leve adiante a luta internacional contra a violência às mulheres e toda forma de opressão!


04/11/2010
1º ENCONTRO DE MULHERES TRABALHADORAS DA USP
São Paulo, 24 de setembro de 2010 Organização: Secretaria de Mulheres do SINTUSP
Realizamos o 1º Encontro de Mulheres Trabalhadoras da USP num momento em que a Universidade de São Paulo sofre um enorme ataque contra o ensino público: o governo estadual, através do Reitor João Grandino Rodas e a burocracia acadêmica concentrada no Conselho Universitário acabam de aprovar uma série de medidas que, em seu conteúdo visam atrelar mudanças curriculares às necessidades do mercado e da grande indústria, fornecendo mais verbas para aquelas unidades que se adequarem a estas diretrizes, sem falar dos projetos de terceirização, com 85% de aumento para contratação de empresas terceirizadas, contratos precários de professores e a aprovação da UNIVESP. Tudo isto se completa com o discurso de que não se pode mais ampliar vagas na universidade, de que é preciso barrar este aumento para manter a USP como uma universidade de excelência. Este é o projeto que está sendo enfiado goela abaixo de toda a comunidade universitária, através da perseguição dos setores que resistem e lutam contra este projeto ainda mais elitista e privatizador para a USP.

Numa sociedade onde a força de trabalho feminina é tida como forma de aumentar os lucros dos capitalistas, concedendo salários menores às mulheres, qualquer forma de privatização dos serviços públicos necessariamente terá conseqüências maiores para as mulheres trabalhadoras. A dupla jornada de trabalho se configura pelo trabalho não pago exercido pelas mulheres em suas casas após o trabalho na fábrica, empresa, universidade, etc, que são essencialmente o cuidado com os filhos (além de idosos e doentes), a comida, a limpeza da casa, a lavagem da roupa, entre outros. Todo esse trabalho não pago é socialmente necessário para que os trabalhadores, e a própria trabalhadora, possam seguir trabalhando no dia seguinte. Neste sentido, é de interesse dos capitalistas não fornecer estes serviços gratuitamente através de creches, lavanderias ou restaurantes que possam livrar as mulheres desta segunda jornada em suas casas, pois isso significaria reduzir seus lucros.

Historicamente as mulheres lutaram por estes direitos, mas o ataque neoliberal das últimas décadas atingiu profundamente a classe trabalhadora, dividindo-a entre efetivos, terceirizados, temporários e informais, esfacelando muitos dos direitos conquistados. Este período foi assistido por toda a classe trabalhadora sem nenhuma forte resistência, situação imposta principalmente pelas burocracias sindicais, que contribuíram neste momento para avançar numa verdadeira “derrota moral” da classe operária, que pesou duplamente sobre as costas do proletariado feminino. Se do ponto de vista objetivo, dividiu-se a classe operária em diversas “subclasses”, utilizando-se sempre da opressão às mulheres (e também aos negros e homossexuais) para dividi-la ainda mais, do ponto de vista subjetivo conseguiu fazer os trabalhadores deixarem de acreditar em suas próprias forças. Os projetos de privatização caminham também neste sentido.

É importante ressaltar que, no que diz respeito aos direitos das mulheres, todo o contingente feminino que compõe o setor mais explorado e precarizado não têm direito à creche e outros direitos elementares, como a própria licença-maternidade que acaba de ser aprovada obrigatoriamente por 6 meses pra todas as empresas. Mas as terceirizadas são demitidas quando ficam grávidas, então não têm esse direito. Neste sentido, os projetos de privatização da USP apresentados pelo governo Serra através de seu interventor Rodas, fazem parte desta ofensiva que busca retirar direitos, flexibilizar os contratos de trabalho e impedir que um setor importante de trabalhadores se organize politicamente. Não à toa esta ofensiva contra o direito de greve, uma forma efetiva de desmantelar a classe trabalhadora para poder privatizar e terceirizar os serviços públicos, aumentando diferenças salariais entre homens e mulheres e retirando os direitos das mulheres trabalhadoras, como as creches.

Para tudo isso acontecer, vivemos uma verdadeira ditadura na universidade, com inquéritos policiais, suspensões, processos judiciais e administrativos, assédio moral e demissões. Sabemos que este cenário é apenas uma faceta da repressão que a classe dominante desfere contra os trabalhadores, a população pobre e o conjunto dos oprimidos. Como vamos discutir neste Encontro, as mulheres sofrem enormemente com a opressão e a violência, como por exemplo com a ilegalidade do direito ao aborto, que condena milhares de mulheres a recorrerem a abortos clandestinos - muitas vezes levando-as a morte, sobretudo as pobres e negras. Por isso, queremos neste encontro, avançar para apresentar um conjunto de propostas e resoluções de organização das mulheres, para também apresentarmos pra toda nossa categoria, no intuito de fortalecer a luta das mulheres trabalhadoras dentro da USP, e também como forma de nos coordenarmos com trabalhadoras de outras categorias, estudantes e mulheres que se coloquem nesta perspectiva. Somando a todas as reivindicações gerais da USP, aprovadas em assembléias e Congressos, reforçamos e agregamos as seguintes propostas de reivindicações para levarmos adiante com nosso Sindicato:

- Efetivação de todas e todos trabalhadores terceirizados, temporários e fundacionais, sem necessidade de concurso público, com os mesmos salários e direitos. Creche, bandejão e CEPEUSP para todos! Que as trabalhadoras terceirizadas se organizem junto à Secretaria de Mulheres do SINTUSP!

- Mais creches na USP! Construção da Creche Sudoeste (ICB, Fofito, HU, Odontologia) e construção de creches em todos os campi que ainda não têm! Ampliação de vagas e contratação de funcionários não precários! Atendimento do acordo do final da greve de 2009 alterando a nomenclatura dos Técnicos de Apoio Educativos reconhecendo-os como professores e professoras do Ensino Infantil! Mais vagas na Escola de Aplicação! Atendimento da reivindicação de merendas na Escola, previsto em lei!- Efetivação de todas e todos trabalhadores terceirizados, temporários e fundacionais, sem necessidade de concurso público, com os mesmos salários e direitos. Creche, bandejão e CEPEUSP para todos! Que as trabalhadoras terceirizadas se organizem junto à Secretaria de Mulheres do SINTUSP! - Mais creches na USP! Construção da Creche Sudoeste (ICB, Fofito, HU, Odontologia) e construção de creches em todos os campi que ainda não têm! Ampliação de vagas e contratação de funcionários não precários! Atendimento do acordo do final da greve de 2009 alterando a nomenclatura dos Técnicos de Apoio Educativos reconhecendo-os como professores e professoras do Ensino Infantil! Mais vagas na Escola de Aplicação! Atendimento da reivindicação de merendas na Escola, previsto em lei! - Construir uma grande campanha contra o assédio moral na Universidade de São Paulo! - Direito das mães acompanharem seus filhos que estiverem de licença médica, sem perda da remuneração! Licença-maternidade de 1 ano! Abaixo o assédio moral aos trabalhadores, em especial às mulheres e abaixo qualquer tipo de perseguição às trabalhadoras grávidas! - Aplicação da lei que prevê a lavagem dos uniformes das áreas insalubres dos trabalhadores como Hospitais, Centros de Saúde e etc! Criação de lavanderias para combater a dupla jornada das mulheres! Não ao desvinculo e privatização do Hospital Universitário e dos Centros de Saúde! Prioridade nos exames periódicos para as mulheres que estão na pré-menopausa e principalmente nos setores insalubres aonde a maioria são mulheres! Que as mulheres não precisem aguardar o dia de agendamento para o ginecologista! - Basta de super-exploração nos Restaurantes da COSEAS, aonde a maioria dos trabalhadores são mulheres e a maioria estão doentes! Realocação para quem necessita e melhoria das condições e ambiente! Ampliação dos restaurantes 100% gratuito (almoço e janta!) e contratação de funcionários não precários para acabar com as enormes filas! - Fazer um chamado a que todas as trabalhadoras de outras categorias se organizem em Secretarias ou Comissões de Mulheres! - Que a Secretaria de Mulheres leve adiante a luta internacional contra a violência às mulheres haitianas, hondurenhas, afegãs e de tantos países que sofrem com a violência e opressão, em especial, do imperialismo norte-americano!

- Construir uma grande campanha contra o assédio moral na Universidade de São Paulo!

- Direito das mães acompanharem seus filhos que estiverem de licença médica, sem perda da remuneração! Licença-maternidade de 1 ano! Abaixo o assédio moral aos trabalhadores, em especial às mulheres e abaixo qualquer tipo de perseguição às trabalhadoras grávidas!

- Aplicação da lei que prevê a lavagem dos uniformes das áreas insalubres dos trabalhadores como Hospitais, Centros de Saúde e etc! Criação de lavanderias para combater a dupla jornada das mulheres! Não ao desvinculo e privatização do Hospital Universitário e dos Centros de Saúde! Prioridade nos exames periódicos para as mulheres que estão na pré-menopausa e principalmente nos setores insalubres aonde a maioria são mulheres! Que as mulheres não precisem aguardar o dia de agendamento para o ginecologista!

- Basta de super-exploração nos Restaurantes da COSEAS, aonde a maioria dos trabalhadores são mulheres e a maioria estão doentes! Realocação para quem necessita e melhoria das condições e ambiente! Ampliação dos restaurantes 100% gratuito (almoço e janta!) e contratação de funcionários não precários para acabar com as enormes filas!

- Fazer um chamado a que todas as trabalhadoras de outras categorias se organizem em Secretarias ou Comissões de Mulheres!

- Que a Secretaria de Mulheres leve adiante a luta internacional contra a violência às mulheres haitianas, hondurenhas, afegãs e de tantos países que sofrem com a violência e opressão, em especial, do imperialismo norte-americano!


04/11/2010
MANIFESTO DAS TRABALHADORAS DA USP CONTRA A REPRESSÃO
Nós, trabalhadoras da USP, reunidas em nosso 1º Encontro de Mulheres, manifestamo-nos em repúdio a toda a perseguição promovida pelo governo através da Reitoria e de sua burocracia acadêmica contra os lutadores e lutadoras das últimas greves e ocupações. Não aceitaremos os inquéritos policiais contra os dirigentes do Sindicato de Trabalhadores da USP: Neli, Solange, Brandão, Magno, Aníbal e Zelito. Também repudiamos a suspensão da companheira Patrícia e seguimos lutando contra a demissão inconstitucional do Brandão. Defendemos a Comissão de Trabalhadores e Trabalhadoras da COSEAS (Creches, Restaurantes e Serviços), eleita em assembleia durante a greve, que está sofrendo uma tentativa de ingerência por parte do Coordenador Waldyr Jorge (o mesmo que cortou o ponto dos funcionários durante a greve). Estamos ao lado dos estudantes que estão sendo perseguidos com 15 processos, repudiamos a repressão à ocupação estudantil da COSEAS e todas as formas de assédio moral e perseguição nas unidades por parte das chefias.

Todos esses ataques estão a serviço de um projeto privatizador da universidade, que inclui mais terceirização – que atinge sobretudo as mulheres negras -, retirada de direitos (diminuição de creches, restaurantes e outros), perda da qualidade de ensino com a precarização dos contratos de professores e com o ensino virtual, desvinculação e privatização do Hospital Universitário e dos Centros de Saúde, entre outros. Nós, como mulheres trabalhadoras que buscamos nos organizar por nossas demandas, lutamos lado a lado com toda a categoria contra esses ataques da Reitoria e do governo. Por isso, neste encontro, onde discutimos com prioridade o tema da violência contra as mulheres, repudiando todos os contornos que adquire nesta sociedade capitalista, também nos manifestamos contra a repressão que corre solta dentro da universidade. Sabemos também que essa repressão dentro da USP é apenas um retrato da situação em que se encontram os trabalhadores, trabalhadoras e a população pobre no país inteiro, sofrendo com a violência policial, o assédio moral, a terceirização, a criminalização, entre outros.

Abaixo a ditadura na USP! Retirada de todos os processos contra Neli, Solange, Magno, Brandão, Zelito, Aníbal, Rosana e Givanildo! Retirada dos 15 processos contra os estudantes! Revogação da suspensão da Patrícia! Reincorporação imediata de Claudionor Brandão! Defesa da Comissão de Trabalhadores e Trabalhadoras da COSEAS!


04/11/2010
Saúde da mulher Negra
Quando se fala em saúde do povo se fala de uma forma geral como se todos os povos fossem iguais. Não é bem assim, as mulheres tem especificidades em relação a sua saúde e as mulheres negras sofrem mais incidência ainda do que as mulheres brancas.

Os governos das três esferas estão aquém de aplicar políticas que atendam a saúde específica das mulheres principalmente as mulheres negras, programam algumas políticas, porém não basta. O SUS (Sistema Único de Saúde) tem de funcionar de verdade com suas diretrizes voltadas para a saúde da mulher com muita ênfase na prevenção e aplicação de políticas de saúde da mulher negra e suas crianças.

Há vários estudos que comprovam que as mulheres negras morrem com mais freqüência de parto do que as brancas, pois são vulneráveis a diabetes, hipertensão arterial. Sofrem de várias complicações durante o parto e gestação como bebês que nascem mortos, prematuros. Também sofrem deslocamento prematuro de placenta entre outros.

A anemia falciforme, a doença genética mais comum no Brasil, é uma doença hereditária com maior prevalência na população negra. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que no Brasil são afetadas milhões de pessoas com anemia falciforme e apresenta alto índice de mortalidade, atingindo anualmente cerca de 2500 crianças, para cada 1000 crianças há 30 portadores de traço falciforme e cerca de 25% falcêmicos morrem antes de cinco anos de idade. Lembrando que as mulheres portadoras de anemia falciforme apresentam maiores riscos de aborto e a maioria é negra.

O Mioma

O mioma é um tumor benigno resultante do crescimento anormal das células da parede uterina que atinge cerca de 20 a 25% das mulheres, surgem na idade reprodutiva geralmente depois dos trinta anos, são raros antes da menarca e podem regredir na menopausa. A incidência é maior nas mulheres negras. As cirurgias podem ser feitas a céu aberto ou via laparoscópica, porém, há pesquisas, que comprovam que a retirada total do útero, são feitas na mulher negra e não apenas em caso extremamente grave.

A atenção à saúde da população negra tem de ser profunda, pois a prevenção e cuidados necessários respeitando especificidades principalmente da mulher que corre maior risco de vida é dever do Estado de um SUS de qualidade 100% estatal. Temos que exigir respeito com cada ser no atendimento à saúde principalmente na prescrição médica para os hipertensos, pois já é comprovado que certos medicamentos para hipertensão na população negra só pioram sua saúde. Ex: Captopril, enalapril, ramipril, lisinopril, losartan, candesartan, olmesartan.

Contribuição para reflexão de quanto ainda precisamos lutar pela igualdade e respeito com o povo e entre o povo, respeito à saúde das mulheres e principalmente as que têm mais vulnerabilidade às doenças. À luta! Abaixo o preconceito, abaixo o assédio moral, abaixo o assédio sexual, abaixo as violências de todos os tipos!

04/11/2010
Mal de muitas, problema de .... quem ?
A violência de gênero se tornou na primeira causa de mortes de mulheres mundialmente; milhares de mulheres são assassinadas a cada ano somente por serem mulheres.

Inclusive tiveram que inventar uma nova palavra para nomear este horror e a sinistra magnitude que adquirem esses assassinatos e, agora, se fala de “femicídios”. Mas os assassinatos são o último e mais extremo elo de uma longa cadeia de múltiplas e variadas formas de violência: os estupros e abusos, os mal-tratos e golpes, o desprezo e a humilhação, são muito mais habituais do que podemos pensar e na maioria dos casos são fatos silenciados.

Mas também existem outras formas de agressão e violência exercida contra as mulheres pelo Estado capitalista, suas instituições e outras redes para-estatais, entre as quais podemos nomear a repressão exercida pelas forças armadas, a subordinação imposta pela Igreja, a proibição de direitos fundamentais que nos condenam a situações de inferioridade em relação aos homens, a falta de oportunidades para a educação e o trabalho, o pagamento de menores salários que recebemos par ao mesmo trabalho que realizam nossos companheiros homens, o assédio sexual por parte dos patrões, chefes e gerentes que acham que somos sua propriedade, a escravidão das trabalhadoras migrantes em fábricas clandestinas e outras condições desiguais que sofrem as trabalhadoras, o seqüestro de meninas e meninos para as redes de tráfico e prostituição, a utilização da imagem da mulher que nos reduz a ser um objeto sexual para o desfrute de terceiros, sem levar em consideração nossos próprios interesses, entre outros.

De tão milenar, naturalizada; de tão extensa e cotidiana, invisibilizada. De tão cruel e sistemática, parece quase impossível enfrentar e acabar com a violência? Essa é a violência que exerce sobre nós. Entretanto, ainda que pareça habitual, que esse lugar de submetimento e subordinação seja visto como algo natural, é resultado do funcionamento das diversas instituições do Estado, que desde a origem da opressão das mulheres e as sociedades dividias em classes, tem legitimado esta violência. Essa situação de violência sistemática nos obriga a pensar qual é a íntima relação que existe entre este aberrante fenômeno de violência contra as mulheres e a manutenção da ordem instituída num sistema social que encontra seu fundamento em na exploração de milhões de seres humanos por parte de uma pequena minoria parasita. Por que a exploração dos seres humanos foi acompanhada, desde sua origem, pela opressão das mulheres, por uma opressão que adquire múltiplas formas, e expressões cruéis e aterrorizantes?

Quando vemos brutais assassinatos de mulheres na mídia, se intensificam as declarações na mídia propagandeando a Lei Maria da Penha, como um grande feito do governo Lula, o pronunciamento de organizações de mulheres e os discursos dos governos e outras instituições do |Estado; o fato é que as medidas apontadas como “solução” a este sofrimento não resolveu nada, mas não porque não sugerem pontos corretos, mas porque não colocam o problema de fundo, ou seja, a existência da propriedade privada, defendida através da violência da classe dominante, contra as e os explorados, que condenou as mulheres a ser um grupo subordinado socialmente.

Ainda que haja quem defenda que esta violência se reduz a determinados “setores sociais”, que seus executores devem ser considerados como “doentes” ou “loucos”, que as vítimas caíram nessa situação “por algo”, que o amor “extremo” explica ou justifica que o ciúme possessivo e então se pode falar em “crimes passionais”?

É certo que nenhum destes casos ocorre isoladamente: a violência que se exerce sobre nós, é decorrente de uma sociedade onde as mulheres ocupam um papel subordinado, somos consideradas um mero objeto sexual, pessoas incapazes e inferiores, com menores direitos e liberdades. Isto é, a violência contra as mulheres se origina, se sustenta, se justifica e se legitima na desigualdade socialmente construída entre os gênero e as classes. Porque também é certo que suas conseqüências as mulheres das famílias da classe trabalhadora e pobres sofram mais fortemente. Desigualdade que não é natural, biológica nem herdada, que faz com que esteja profundamente arraigada na sociedade a idéia de que as mulheres são propriedades dos homens, primeiro do pai, depois do marido, algumas tornadas em propriedade de “deus”, outras em propriedade de todos os homens, mas nunca autônomas. Por isso dizemos que, muito mais do que uma repentina “perca de controle” por parte do homem que exerce essa violência contra a mulher, a própria violência é expressão do mais alto grau de controle e dominação que possa se exercer sobre outra pessoa.


04/11/2010
Violência – familiar e doméstica?
No Brasil, 12 mulheres são assassinadas todos os dias, resultando na morte de cerca de 4.500 mulheres vítima de violência por ano. Isso sem contarmos as mulheres que morrem vítimas da clandestinidade do aborto.

Completando quatro anos do surgimento da Lei Maria da Penha, e muito próximo das eleições presidenciais, somado aos brutais casos de assassinatos de duas mulheres, as campanhas midiáticas em torno da Violência contra a mulher tem se intensificado, bem como os pronunciamentos de organizações de mulheres e de esquerda, os discursos dos governos, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, das instituições policiais e outras instituições do Estado.

Mas inclusive o sistema judicial previsto para a denúncia de violência contra as mulheres, revitimiza as vítimas: os procedimentos judiciais são lentos, dolorosos e, como não podia ser diferente, são injustos, porque se centram em investigar a vítima, pressupondo que “tenha feito alguma coisa” para que acontecesse o que aconteceu. Os processos iniciados pela “violência familiar” ou “doméstica” aumentaram cerca de 540% (2009) no Rio Grande do Norte e as denúncias feitas aumentaram cerca 200% em algumas cidades do interior em nosso país como Divinópolis (MG). Mas bem sabemos como o sistema judicial é lento e tal como vemos alguns casos noticiados pelos meios de comunicação, mesmo após 8 denúncias na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, as mulheres são assassinadas, como o que ocorreu com Maria Islaine (MG), ou mesmo Eliza Samúdio, brutalmente assassinada após ter denunciado aquele que a matou.

Poderíamos dizer que na prática temos observado diversos “fracassos”, isso se contarmos somente alguns poucos casos noticiados pela mídia, que seguramente não fala das cerca de 4.500 mulheres que morrem por ano no Brasil vítimas de violência.

Mas “fracassos” parece um termo muito leve para nos referir às forças policiais que são quem estão por trás da sustentação das redes de prostituição, do narcotráfico, do jogo clandestino e vários outros negócios sujos. É um termo muito leve para nos referir às mesmas forças policiais encarregadas da repressão contra a classe trabalhadora e o povo pobre, os assassinatos à juventude negra das periferias e favelas que sequem impunemente, forças policiais responsáveis da tortura, assassinato e desaparecimento de milhares de lutadoras e lutadores da época da ditadura militar e que ainda estão livremente em seus cargos recebendo salários pagos com o nosso dinheiro dos impostos. Lucia (nome fictício), aos 15 anos foi presa por quase um mês numa cela com mais de 20 homens, no Estado do Pará em 2007, onde governa uma mulher Ana Julia Carepa (PT), onde a delegada era uma mulher, e durante 26 dias estuprada. É no governo Lula (PT), que se utiliza demagogicamente da criação da Lei Maria da Penha, que criou a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, que morrem assassinadas todos os dias cerca de 12 mulheres, onde milhares são estupradas, mortas e vivem em sofrimento causado inclusive pelas próprias instituições que dizem que seria para “resolver”.

A compreensão de que os casos de violência contra a mulher possam ser definidos como “violência doméstica” ou “violência familiar” é parte do trabalho ideológico da burguesia que tende a nos fazer acreditar que se trata de um assunto privado, no qual não se deve “meter a colher”. Mas além disso, mascara o fato de que essa violência exercida pelas pessoas mais próximas da vítima, e concentrada no âmbito privado, é originada, sustentada e até justificada por uma sociedade na qual a violência contra as mulheres se converteu, tragicamente, em “senso comum”.


 
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