02/05/19

Moção de pesar e repúdio

Moção de pesar e repúdio

O SINTUSP vem manifestar, antes de mais nada, profundo pesar e toda solidariedade à família e amigos, sobre a morte do estudante de Geografia Filipe Varea Leme, vítima de um acidente de trabalho fatal na Escola Politécnica da USP na última terça-feira, 30/04.

Conforme informações preliminares, o estudante realizava um trabalho operacional de transportar um armário, que veio a cair sobre ele ocasionando sua morte.

A precarização do trabalho na USP avança de várias formas. Sobrecarga de trabalho em todas as áreas, trabalhadores terceirizados com grande instabilidade, baixos salários, jornadas exaustivas e pouquíssimos direitos, assédio moral cada dia mais presente e usado como método de gestão. Além disso, a universidade desvia os objetivos dos estágios, colocando estudantes para atuar como monitores ou estagiários em substituição a funcionários nas mais diversas unidades da USP, sejam de administração, sejam de ensino e pesquisa, quando deveria ampliar os auxílios para permanência estudantil, por um lado, e garantir contratação de funcionários efetivos, por outro.

O SINTUSP tem lutado por toda sua história em defesa da Universidade e das melhores condições de trabalho e estudo para toda a comunidade universitária, e ao longo dos últimos anos denunciamos e combatemos de maneira permanente as políticas de ajustes econômicos que tratamos como criminosas, como a instituição de dois Programas de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDVs), a suspensão de contratações via concurso e a expansão da terceirização na USP promovidos pelos reitores e governos estaduais.

A USP informou em nota oficial que prestará todas as informações necessárias e que preza pela adoção de todas as medidas de segurança dentro de suas dependências, o que não é verdade. A universidade tem seu quadro do Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) irregular, menor do que o necessário, inclusive alvo de ações do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Denunciamos que a falta de uma política institucional para a prevenção de acidentes e de investimento em segurança do trabalho leva a enormes índices de acidentes, doenças ocupacionais e afastamentos, sendo ainda pior quando se trata de estudantes, que são destinados a atividades de risco inadequadas às atribuições de um estagiário ou monitor, sem nenhum tipo de suporte ou orientação de segurança na maioria dos casos.

Exigimos que a USP dê total suporte à família da vitima e que dê a devida importância à segurança do trabalho, repudiando a precarização do trabalho em todas as áreas da USP e as medidas que tem levado a isso, expondo a necessidade imediata de contratações e investimento em saúde e segurança do trabalho como prioridades, bem como da ampliação das políticas de permanência estudantil com bolsas de estudo ao invés de bolsas trabalho que existem para que estudantes sirvam como mão de obra barata para cobrir as deficiências causadas pelas medidas de ajuste da reitoria. Exigimos também às autoridades a rigorosa apuração do acidente, garantindo à família e à sociedade o conhecimento dos fatos causadores dessa terrível perda.

Filipe Presente!

São Paulo, 02 de Maio de 2019
Diretoria Colegiada Plena do Sintusp